8,333 Km.

Foi ontem. Desgarrada pela C., com a sua companhia e a do F., de passo certo que eles já estão treinados, num fim de tarde verdadeiramente agradável, tanto pela companhia como pelo lindo pôr do sol.

Caminhamos mais de 1h30, contornamos a cidade e conheci atalhos que nasceram antes de mim.

Não conhecia o percurso, foi sendo definido à medida que caminhávamos. Ainda bem. Tenho para mim que se me dissessem por onde íamos ficaria sem energia só de imaginar.

Senti-me saudável e cheirou-me a Verão. Quebrei a rotina e o dia pareceu-me ter mais horas. Dei por mim num daqueles momentos “mas porque raio não faço isto mais vezes?!”.

Ficou marcado para amanhã. É manter o ritmo! #verao2017 ⛱

Maio, mês de Maria.

E mês de regressar a um projecto que, ainda bébé, muito gozo já me deu, a Dona Bitaites. Não sou pessoa de meio termo, em nada. Quando comecei a não publicar um dia ou outro, depressa dei por mim sem publicar mais de um mês. Haja disciplina. Volto aos diários!

Neste período de ausência cumpri alguns objectivos, comecei a fazer Pilates, bebo diariamente 0,5L de água (ainda não é grande coisa eu sei, mas chegarei lá) e estou no mês de começar as caminhadas. Dois dias por semana, uma hora em cada dia.

Em Abril marquei na pele dois amores, o perfume das rosas, um coração e a eternidade.

Aprendi a respirar e tornei-me mais alta, literalmente, obra de Pilates.

O tempo tem passado muito depressa. Sempre acreditei que quando tivesse todo o tempo para mim, teria todo o tempo do mundo. Mas não é assim, de todo! Tenho a sensação que agora os dias ainda passam mais depressa do que antes. A grande diferença está na sensação interior que o passar do tempo me deixa, mais de bem com a vida, menos ansiosa, mais serena.

Sempre gostei de Maio. Neste mês o sol aparece de forma assídua, os dias são ainda mais longos, e nos meus tempos de estudante era por esta altura que aparecia o cheiro a férias, parecia-me sempre um fim de um ciclo (o das aulas) e o início de outro (o das férias grandes), mais leve e bem disposto. É exactamente isso que espero de ti Maio de 2017, e que sejas um mês de amor! ❤️

Três meses.

Hoje completamos o primeiro trimestre de vida, e com muita vontade de continuar.

Ultrapassamos preguiças, fizemos textos atrasados, folgamos um dia, publicamos pela primeira vez dois posts seguidos.

Cada vez mais sinto-me em casa.

Cada vez mais sinto que aqui é o meu reino. 👑

Estava escrito.

Aqui há dias falava com a Carla (a minha gêmea), por altura do seu aniversário.

Recordamos algumas histórias e ela partilhou comigo que dias antes tinha estado com a nossa professora primária. Palavra puxa palavra e acabaram a falar de mim. A D. Fátima dizia embevecida que eu era uma criança com muito vocabulário, esperta, pensava depressa.

Contou à Carla um episódio que nunca se esqueceu, quando eu, numa aula de história, a olhava atentamente e lhe disse “a professora fala tão bem e é tão inteligente, podia muito bem ser deputada!”. Ora em 1983 ouvir isto de uma fedelha fanada, com os seus seis/sete anos, deve ter tido a sua graça.

Anos mais tarde estava no ciclo e os professores eram quase unânimes, achavam eles que o meu futuro seria nas letras.

Perto do nono ano, quando temos de escolher a nossa área de estudo, a minha Mamy perguntou a opinião a Deus e ao Diabo.

A esmagadora maioria falava em letras. Que tinha muito jeito, que aprendia depressa línguas, que escrevia muito bem, que tinha facilidade em expressar-me, que tinha muito vocabulário, mais etc e tal e pardais ao ninho.

Fiz o teste de aptidão e deu empate entre letras e ciências.

Mas, talvez por aquela coisa de ser do contra, eu cá dentro não tinha empate nenhum. Quis ciências. E assim foi…

Acabei afastada da leitura e da escrita anos a fio. E como o que é nosso à nossa mão vem ter, nasce um dia a Dona Bitaites e lembra-me exactamente o porquê da maioria me ter aconselhado letras.

Ainda bem que escolhi ciências, vivi praticamente vinte anos a trabalhar com verdades comprovadas. Agora, posso renascer no sonho de só ser curiosa e ter muitas dúvidas.

Quem sabe os próximos vinte anos não serão a trabalhar com as letras?

Sorte de quem, numa vida, pode experimentar três ou quatro. ✍

February, what’s new?

Mais um mês passado.

O tempo é, dos presentes de Deus, o mais bem distribuído.

Ricos e pobres, bonitos e feios, altos e baixos, cristãos, ateus e outros, todos temos vinte e quatro horas por dia. E todos sabemos que um desses dias será o último.

Diz-se que Deus fez as contas para serem oito horas a trabalhar, oito horas a divertir-nos e oito horas a dormir.

Já aqui confessei a minha inaptidão para gerir o tempo, e por mais que saiba que realmente oito vezes três são vinte e quatro, não imagino como haja quem consegue trabalhar, dormir e ainda divertir-se oito horas.

Fevereiro também é um mês que baralha, é o mais pequeno e ainda tem o carnaval, sempre me disseram que esta vida são dois dias mas o carnaval são três (?).

Feito o balanço portei-me benzinho. Cumpri o objectivo de re-experimentar Pilates e estou inscrita numa turma que começa em Março. Mantive o controlo sobre o essencial e o acessório. Cá por casa cozinhou-se e passou-se muito tempo entre peludos. Os conteúdos para o blogue continuaram a ser publicados diariamente.

Já sonhar, a fotografia e a leitura foram três falhanços imperdoáveis!

Mas este Fevereiro também não foi pêra doce, a nossa Laurinha que o diga.

Há uma curiosidade nos meus Fevereiros, este é o mês onde conheço mais pessoas do coração a fazer anos, sendo o trono ocupado, claro está, pelos meus meninos.

Para Março, para além de todos os objectivos definidos no fim do ano, para além de acrescentar “o essencial e o acessório” (mês de Janeiro) e a prática de Pilates (mês de Fevereiro), ainda vem o desafio específico do mês: começar por beber todos os dias pelo menos meio litro de água e acabar o mês a beber um litro de água/dia.💧

As patinhas de Peter Pan *

Tenho para mim que a inocência de uma criança só pode ser comparada à de um animal. A única diferença é que a criança acaba por perdê-la e o animal não.

A forma como vêem o mundo é muito parecida, possivelmente por isso a convivência fica tão facilitada.

Precisam de muito pouco para ser feliz: brincar, barriga cheia, água da fresca, caminhas confortáveis, fraldas ou casotas limpas e muitos miminhos. Tudo o que vier a mais já é bónus.

Acreditar na fada dos dentes ou no pai natal é tão natural para uma criança como nunca o será para um adulto (por muito que disfarce o sorriso que esboça com ternura).

Entre crianças a imaginação foca-se na brincadeira, no faz de conta, mas como brincam todas em conjunto, muitas vezes a professora acaba aluna, o médico vira paciente, o bombeiro tem de ser cozinheiro.

Com um amigo imaginário isso nunca acontece, faz sempre o que queremos (por isso mesmo acho que todos o tivemos), com um animal também não, é o nosso maior cúmplice (sorte de quem passa pela experiência).

Desde miúda que tenho animais, e os gatos cedo me roubaram o coração. Lembro- me de mim, menina, a contar os meus segredos à Zebra, a dormir com ela e com o Quito debaixo da roupa, às escondidas da minha avó, da alegria que os três sentíamos quando chegava a casa depois das aulas.

A partir de certa idade a magia perde-se e a criança adultiza-se, os primeiros sintomas tendem a ser desacreditar na magia, nas fadas e nas princesas, nos príncipes e nos reinos. Não faltará muito para se instalar a “síndrome da opção rejeitada”, só enquanto somos crianças escolhemos uma de duas opções e seguimos em frente, felizes e contentes. Quando adultos demoramos o triplo do tempo a decidir, e independente da eleita, vamos passar horas com a rejeitada entalada nos pensamentos.

Nessa altura já perdemos a pureza da verdade, começamos a pensar antes de falar e há coisas que simplesmente não dizemos porque é feio ou não dá jeito.

Conheci o Miguel através do seu pai, à data era um menino com três anos e com a energia que os carateriza. Vivia com os pais e com a avó, que estava doente há algum tempo. Quando o conheci estava há dias a pedir um gato aos pais, estes aceitaram e adoptaram dois adultos irmãos, que não se separavam nem por nada.

Não tardou para que o Manchas se tornasse o melhor amigo do Miguel. O seu irmão, Faísca, passeava entre o jardim da sua casa e o da vizinha, e acabou por adoptá-la como sua tutora. Vinha de vez em quando visitar o irmão e desafiá-lo a visitar a sua nova casa.

Assim foi durante muito tempo, mas um dia, numa dessas “excursões”, o Manchas foi atropelado. Conseguiu chegar a casa, para perto do seu amigo, mas estava em mau estado. O Miguel ficou aflito, e o pai, a temer o pior, disse-lhe que talvez Deus estivesse a querer o seu amigo para Seu companheiro. O Miguel olhou-o com os olhos muito esbugalhados, lacrimejantes, e pediu-lhe “ó pai, não, pede-Lhe, por favor, para que não leve o Manchas, diz-Lhe para levar antes a avó”.

Julgar ou justificar o pedido do Miguel seria diminuir a pureza e a ingenuidade de uma criança de três anos. Fica tudo dito quando tudo o que havia a dizer saiu do coração.

Pela minha experiência pessoal ter animais é uma forma de manter viva a criança que há dentro de nós.

Continuo a contar segredos aos meus gatos, a dormir com eles, a precisar do seu mimo quando estou mais triste. Fazem-me lembrar todos os dias de que as coisas mais importantes da vida não tem preço, mas algumas têm pêlo.

Quando chego a casa, vencedora ou derrotada pelo dia que tive, feia ou bonita, aprimorada ou desmazelada, continuo a ser uma das pessoas mais importantes da vida deles, vêm buscar-me a porta a ronronar e a dar turras, como quem diz “tive saudades”.

E a partir desse momento eu visto o meu pijama e entro na Terra do Nunca, até ser de manhã.🌛

Nota à redacção: ao longo de todo este texto, e ao longo de toda a minha vida, considero que o respeito e a educação são valores que os tutores e pais transmitem desde cedo aos seres pelos quais se responsabilizam: as crianças e os animais.

* – texto escrito no âmbito de um concurso de conteúdos para Petable.com

Ousar sonhar.

Dito assim pode parecer estranho, mas é verdade, acho que não sei sonhar!

Parece uma coisa fácil, fechar os olhos e divagar pela alma e pela mente. Mas não me sai. O curioso é que sou assim desde que me conheço por gente.

Cresci muito depressa, por força das circunstâncias. Acho que isso me fez ser uma pessoa muito racional e objectiva. A emoção não me dava muito jeito, fazia-me ser mais vulnerável. Também por isso, creio que temi sonhar, pelas decepções eventualmente associadas às expectativas.

Nunca fui problemática, mas na adolescência tive os meus momentos. Fui educada com muita liberdade e nenhuma libertinagem. Cresci naturalmente e tornei-me mulher.

Como estudante era boa aluna, ou pelo menos muito razoável. Como seria expectável tirar um curso superior, deixei-me ir e escolhi o curso por exclusão de partes – gostava de investigação, ciência, mas não com humanos que o meu sangue é fraco. Estava a acabar o curso e comecei a “fazer curriculum”, ía a seminários, formações, workshops, conferências, tudo e mais alguma coisa, especialmente gratuita. Foi assim que surgiu a minha primeira experiência profissional.

Por mérito meu, de forma relativamente destemida, sempre agarrei as oportunidades e uma coisa foi levando à outra.

Em vésperas de fazer 39 anos tive a maior crise existencial que alguma vez imaginei. Comecei a questionar tudo e quase todos. Precisei de arrumar o meu eu interior, abrir gavetas, limpar o pó, deitar fora mágoas, encarar medos, arranjar espaço para novas vivências.

É um trabalho que ainda está em progresso.

Dou por mim a ser, pensar e sentir, de forma mais honesta comigo mesma. Cada vez percebo com mais clareza que sempre soube quem era, mas quase nunca fui. O interessante é que não existem bons motivos para assim ter sido por tanto tempo. Encontro só dois: não ser eu quem ocupa o primeiro lugar na minha vida (e ainda não sou, tenho mesmo de trabalhar isto!) e o efeito “um dia a seguir ao outro”.

Nunca fui de me queixar, mesmo das poucas vezes que tive alguns bons motivos para isso. Sou das que vê o copo meio cheio. Consciente de todos os privilégios que tinha na minha vida custava-me reconhecer a insatisfação que ainda assim sentia, tinha medo que a vida me castigasse. Evitava pensar muito nas coisas por isso mesmo, e depois vinha outro dia, quase todo igual ao anterior, com outras pequenas coisas para falar e distrair a atenção. Mas raismeparta se sou conformada, ou fã do tanto faz, do “nim”, do indiferente.

Juro, fiz muitas vezes esforços para caber na normalidade. Naquela maioria que trabalha das 09 às 18, que espera a sexta, o fim do mês e o Agosto – o famoso mês de férias. Que não gosta do que faz mas que nem pensa nisso, afinal “não podemos ter tudo o que queremos”. Que se regozijam com o seu pequeno poder, lá no seu trabalho, o tal que não gostam, mas onde sabem abrir excepções para os amigos e dificultar regras para os antipáticos.

Parar e ter tempo para contemplar o meu eu interior, aceitar as minhas limitações, perceber as minhas emoções, lidar com os meus medos, tem sido um presente precioso.

Dizem que não somos nem o passado nem o futuro, só o presente. Discordo. Nós somos o somatório do que éramos ontem com o que criamos hoje, e perceber isto vai-nos fazer escolher melhor o amanhã.

Tenho pensado muito, mas o que quero mesmo é dar-me à loucura de simplesmente ousar sonhar.

Aceitar que no caminho pode haver decepções, aprender a lidar com elas, não esquecer que também são emoções.

Mas não limitar a alma! Sonhar, levar-me mais além, fazer por eles, concretizá-los. Criar sonhos e segui-los no caminho, fazê-los a bússola do meu coração. 🌠

Vamos a contas.

Defini interesses para o ano de 2017 e um objectivo específico para o mês de Janeiro.

Agora que inicia Fevereiro, está na altura de confessar (com orgulho!) que o propósito para o mês que acabou, “essencial ou acessório” (partilhado aqui no blog), foi bem sucedido. Aliás é para manter, parecendo que não ajuda a perceber melhor os vícios do corpo e os valores da alma.

Também em Janeiro foram dados os primeiros passos na fotografia, passei muito mais tempo com os meus patudos, cozinhei frequentemente e portei-me para lá de bem na escrita de conteúdos aqui no blog. Já o objectivo de ler um livro por mês falhou redondamente. Fevereiro será o mês para iniciar a leitura!

Para este mês cheguei a pensar que o objectivo específico seria iniciar caminhada três vezes por semana. Mas Fevereiro é o mês mais curto do ano, a chuva cai forte, o vento assobia e a preguiça fala tão alto. Vou-me ficar por re-experimentar Pilates e convencer-me que a sua prática com regularidade não é uma opção, a escolha é só mesmo a do local e o horário.

Sobre alimentação mais saudável e beber mais água, falaremos em Março. Afinal o ano só está a começar. 😜