Era uma vez um cão chamado Peninha.

Que por sinal é meu sobrinho. O único canino, os demais juntam-se ao reino dos felinos.

O Peninha é um dos cães com o olhar mais fofo do mundo, a quem é muito difícil dizer não. Adora passear, faz buracos na praia como nem a Mota Engil faria para escavar petróleo, carrega estoicamente o maior e mais pesado dos paus (por kilometros se o deixarem), tem as suas obsessões com brinquedos, ossos e afins (ansioso o puto!), consegue brincar ao “atira a bolinha” mais horas seguidas do que eu consigo dormir (e eu sou boa nisso!).

Para além disto, ainda é um amor de menino. Lambe as lágrimas à sua mãe quando ela está tristonha, só quer ir para a cama quando vai a mãe e o pai, passeio a valer também é com os dois, choraminga e chama as vezes que forem precisas pelo elemento preguiçoso que só quer ficar de papo para o ar. É um doce sedutor e brincalhão.

O Peninha tem a sorte de ter dos melhores pais do mundo, e a V. e o J. têm a sorte de o ter, com um amor inesgotável e uma admiração inquestionável – para ele não há ninguém mais importante no mundo do que eles os dois.

O Peninha está na vida deles há quase cinco anos, chegou bebé, e eles estão na vida um do outro há oito.

Estão e estarão, mesmo agora, quando apesar da enorme cumplicidade e amizade que sempre os uniu, entenderam separar-se.

Até aqui a história poderia ser a de muitos casais, daqui para a frente, é que já só é para alguns.

A V. alugou casa a cinco minutos a pé do J. para que a guarda partilhada seja efectiva: de dia está com o J. e de noite está com a V. (e se for preciso trocar o “turno” ou fazer um duplo, qualquer um dos dois está disponível). Assim, o Peninha vai continuar a passear nos mesmos sítios, vai ter o amor e a companhia da mãe e do pai, sem qualquer tentativa de chantagem, intimidação, manipulação ou a puta que o pariu.

A ferida ainda dói para os dois, e ainda deve doer mais um bocadinho. Mudar rotinas, sair da zona de conforto é coisa, só por si, para custar muito. Mas os dois quiseram, acima de tudo, o bem estar do maior amor comum, o Peninha.

Desejo à V. que tenha sempre motivos para manter o seu sorriso, e que tenha sempre os pêlos do Peninha por perto.

Ao J. também.

O tempo às vezes não é o mesmo para os dois elementos de um casal, mas isso não apaga tudo o que viveram e o melhor que deram um ao outro.

O Peninha ainda terá algumas lágrimas para lamber, mas tenho para mim que as do J. será porque se separaram e as da V. será porque acabaram. O tempo o dirá.

V. admiro-te daqui até à lua, ir e vir ao pé coxinho. Não foi por acaso que nasceste ao contrário! 👸

Estava escrito.

Aqui há dias falava com a Carla (a minha gêmea), por altura do seu aniversário.

Recordamos algumas histórias e ela partilhou comigo que dias antes tinha estado com a nossa professora primária. Palavra puxa palavra e acabaram a falar de mim. A D. Fátima dizia embevecida que eu era uma criança com muito vocabulário, esperta, pensava depressa.

Contou à Carla um episódio que nunca se esqueceu, quando eu, numa aula de história, a olhava atentamente e lhe disse “a professora fala tão bem e é tão inteligente, podia muito bem ser deputada!”. Ora em 1983 ouvir isto de uma fedelha fanada, com os seus seis/sete anos, deve ter tido a sua graça.

Anos mais tarde estava no ciclo e os professores eram quase unânimes, achavam eles que o meu futuro seria nas letras.

Perto do nono ano, quando temos de escolher a nossa área de estudo, a minha Mamy perguntou a opinião a Deus e ao Diabo.

A esmagadora maioria falava em letras. Que tinha muito jeito, que aprendia depressa línguas, que escrevia muito bem, que tinha facilidade em expressar-me, que tinha muito vocabulário, mais etc e tal e pardais ao ninho.

Fiz o teste de aptidão e deu empate entre letras e ciências.

Mas, talvez por aquela coisa de ser do contra, eu cá dentro não tinha empate nenhum. Quis ciências. E assim foi…

Acabei afastada da leitura e da escrita anos a fio. E como o que é nosso à nossa mão vem ter, nasce um dia a Dona Bitaites e lembra-me exactamente o porquê da maioria me ter aconselhado letras.

Ainda bem que escolhi ciências, vivi praticamente vinte anos a trabalhar com verdades comprovadas. Agora, posso renascer no sonho de só ser curiosa e ter muitas dúvidas.

Quem sabe os próximos vinte anos não serão a trabalhar com as letras?

Sorte de quem, numa vida, pode experimentar três ou quatro. ✍

February, what’s new?

Mais um mês passado.

O tempo é, dos presentes de Deus, o mais bem distribuído.

Ricos e pobres, bonitos e feios, altos e baixos, cristãos, ateus e outros, todos temos vinte e quatro horas por dia. E todos sabemos que um desses dias será o último.

Diz-se que Deus fez as contas para serem oito horas a trabalhar, oito horas a divertir-nos e oito horas a dormir.

Já aqui confessei a minha inaptidão para gerir o tempo, e por mais que saiba que realmente oito vezes três são vinte e quatro, não imagino como haja quem consegue trabalhar, dormir e ainda divertir-se oito horas.

Fevereiro também é um mês que baralha, é o mais pequeno e ainda tem o carnaval, sempre me disseram que esta vida são dois dias mas o carnaval são três (?).

Feito o balanço portei-me benzinho. Cumpri o objectivo de re-experimentar Pilates e estou inscrita numa turma que começa em Março. Mantive o controlo sobre o essencial e o acessório. Cá por casa cozinhou-se e passou-se muito tempo entre peludos. Os conteúdos para o blogue continuaram a ser publicados diariamente.

Já sonhar, a fotografia e a leitura foram três falhanços imperdoáveis!

Mas este Fevereiro também não foi pêra doce, a nossa Laurinha que o diga.

Há uma curiosidade nos meus Fevereiros, este é o mês onde conheço mais pessoas do coração a fazer anos, sendo o trono ocupado, claro está, pelos meus meninos.

Para Março, para além de todos os objectivos definidos no fim do ano, para além de acrescentar “o essencial e o acessório” (mês de Janeiro) e a prática de Pilates (mês de Fevereiro), ainda vem o desafio específico do mês: começar por beber todos os dias pelo menos meio litro de água e acabar o mês a beber um litro de água/dia.💧

As patinhas de Peter Pan *

Tenho para mim que a inocência de uma criança só pode ser comparada à de um animal. A única diferença é que a criança acaba por perdê-la e o animal não.

A forma como vêem o mundo é muito parecida, possivelmente por isso a convivência fica tão facilitada.

Precisam de muito pouco para ser feliz: brincar, barriga cheia, água da fresca, caminhas confortáveis, fraldas ou casotas limpas e muitos miminhos. Tudo o que vier a mais já é bónus.

Acreditar na fada dos dentes ou no pai natal é tão natural para uma criança como nunca o será para um adulto (por muito que disfarce o sorriso que esboça com ternura).

Entre crianças a imaginação foca-se na brincadeira, no faz de conta, mas como brincam todas em conjunto, muitas vezes a professora acaba aluna, o médico vira paciente, o bombeiro tem de ser cozinheiro.

Com um amigo imaginário isso nunca acontece, faz sempre o que queremos (por isso mesmo acho que todos o tivemos), com um animal também não, é o nosso maior cúmplice (sorte de quem passa pela experiência).

Desde miúda que tenho animais, e os gatos cedo me roubaram o coração. Lembro- me de mim, menina, a contar os meus segredos à Zebra, a dormir com ela e com o Quito debaixo da roupa, às escondidas da minha avó, da alegria que os três sentíamos quando chegava a casa depois das aulas.

A partir de certa idade a magia perde-se e a criança adultiza-se, os primeiros sintomas tendem a ser desacreditar na magia, nas fadas e nas princesas, nos príncipes e nos reinos. Não faltará muito para se instalar a “síndrome da opção rejeitada”, só enquanto somos crianças escolhemos uma de duas opções e seguimos em frente, felizes e contentes. Quando adultos demoramos o triplo do tempo a decidir, e independente da eleita, vamos passar horas com a rejeitada entalada nos pensamentos.

Nessa altura já perdemos a pureza da verdade, começamos a pensar antes de falar e há coisas que simplesmente não dizemos porque é feio ou não dá jeito.

Conheci o Miguel através do seu pai, à data era um menino com três anos e com a energia que os carateriza. Vivia com os pais e com a avó, que estava doente há algum tempo. Quando o conheci estava há dias a pedir um gato aos pais, estes aceitaram e adoptaram dois adultos irmãos, que não se separavam nem por nada.

Não tardou para que o Manchas se tornasse o melhor amigo do Miguel. O seu irmão, Faísca, passeava entre o jardim da sua casa e o da vizinha, e acabou por adoptá-la como sua tutora. Vinha de vez em quando visitar o irmão e desafiá-lo a visitar a sua nova casa.

Assim foi durante muito tempo, mas um dia, numa dessas “excursões”, o Manchas foi atropelado. Conseguiu chegar a casa, para perto do seu amigo, mas estava em mau estado. O Miguel ficou aflito, e o pai, a temer o pior, disse-lhe que talvez Deus estivesse a querer o seu amigo para Seu companheiro. O Miguel olhou-o com os olhos muito esbugalhados, lacrimejantes, e pediu-lhe “ó pai, não, pede-Lhe, por favor, para que não leve o Manchas, diz-Lhe para levar antes a avó”.

Julgar ou justificar o pedido do Miguel seria diminuir a pureza e a ingenuidade de uma criança de três anos. Fica tudo dito quando tudo o que havia a dizer saiu do coração.

Pela minha experiência pessoal ter animais é uma forma de manter viva a criança que há dentro de nós.

Continuo a contar segredos aos meus gatos, a dormir com eles, a precisar do seu mimo quando estou mais triste. Fazem-me lembrar todos os dias de que as coisas mais importantes da vida não tem preço, mas algumas têm pêlo.

Quando chego a casa, vencedora ou derrotada pelo dia que tive, feia ou bonita, aprimorada ou desmazelada, continuo a ser uma das pessoas mais importantes da vida deles, vêm buscar-me a porta a ronronar e a dar turras, como quem diz “tive saudades”.

E a partir desse momento eu visto o meu pijama e entro na Terra do Nunca, até ser de manhã.🌛

Nota à redacção: ao longo de todo este texto, e ao longo de toda a minha vida, considero que o respeito e a educação são valores que os tutores e pais transmitem desde cedo aos seres pelos quais se responsabilizam: as crianças e os animais.

* – texto escrito no âmbito de um concurso de conteúdos para Petable.com

Bom dia minha senhora!

Lembro-me como se fosse hoje da primeira vez que me chamaram “senhora”, corria o ano de 2010.

Estava a entrar num elevador e vinham quatro jovens a correr, o que estava mais atrás disse para os outros “peçam à senhora para manter a porta aberta”.

Nesse pátio havia mais seis elevadores, e por momentos, achei que estariam a referir-se a um outro, que eu, distraída, não reparei estar aberto. A dúvida ficou desfeita quando entraram de rompante no meu…

A verdade é que foi literalmente de um dia para o outro que este fenómeno me aconteceu. No dia anterior chamavam-me menina, no dia seguinte passei a senhora.

O que raio trazemos escrito na testa para dar essa indicação?!

De lá para cá, com muita pena minha, só ouço o “menina” por simpatia.

Homens da blogosfera que por engano aqui vieram parar, senhora não é sinal de respeito. É pesado, é distante, é frio. Menina sim, é um doce! Podem agradecer depois. 😹

MCC, vem aí mais uma!

Depois de ontem ter aqui declarado o meu amor à Marta, hoje faço-o à Sónia e ao Ricardo.

O Ricardo é meu primo de sangue, o mais próximo dos meus primos, desde miúdos. A Sónia, mulher do Ricardo, é minha prima do coração.

Se há casal que admiro pela forma como se relacionam são eles. Os feitios encaixam como uma luva. Não são perfeitos, seguramente, mas aos meus olhos estão lá perto. E sei porquê, porque são exactamente aquilo que são, sem qualquer disfarce ou pretensão.

Ambos são pessoas bem formadas, com horizontes amplos, mente aberta.

A Sónia tem uma forma muito peculiar de ver a vida, que eu ADORO, não sofre por antecipação, tem muita inteligência emocional, surpreende-se e surpreende-me porque a vida é “só” a vida, sem dramas nem estresses.

É fácil perceber o porquê do Ricardo se ter apaixonado por ela. Para além de tudo é linda, parecida com a Angelina Jolie!

Também fica fácil perceber a paixão da Sónia pelo Ricardo. É um homem de afectos, sem qualquer problema em o demonstrar. Acredito que a sua roupa preferida seja uma t-shirt (dispensável em dia quente), calções e chinelos. Tem uma capacidade empreendedora nata, arregaça as mangas para criar um projecto emblemático na nossa cidade com a mesma vontade, simplicidade e sorriso, com que arregaça as mangas para inventar alterações no jardim lá de casa.

A cumplicidade, o amor e a amizade deram origem a uma das mais belas meninas que já vi, a única que visitei na maternidade. Uma rufia charmosa, a MCC.

Hoje recebi a notícia do dia, da semana, do mês, e só não é a do ano, porque em Julho será ainda melhor. Vem aí uma mana para a MCC.

Quero muito ser uma prima menos desnaturada. Este meu projecto de ser mais emoção e menos razão também inclui passar mais tempo com aqueles que amo, não só os de pêlo, mas também os de pele.

Meíco, não podias pedir muito mais a Deus! ❤️

Happy Birthday Marta.

Hoje faz anos uma das pessoas mais especiais da minha vida, a minha irmã de coração.

A quantidade de afinidades que temos é muita, tanta que me faz sentir por ela um amor protector.

Trocamos confidências, conselhos e sentimentos.

Torço pela felicidade dela, genuinamente.

Quero que saiba que estou aqui.

A vida não tem sido fácil para ela. O mais duro dos golpes foi há pouco tempo, ainda arde muito, o sufoco é grande.

E vai ser sempre. Eu sei-o e ela também. Podem passar anos e mais anos, nunca vão haver palavras ou berros que sejam suficientes.

Sei a prenda que lhe vou dar, espero que goste e que a faça sorrir sempre que a vir.

Vou fazer o meu melhor para que lá dentro caiba isto tudo:

* gostava que soubesses ocupar sempre o primeiro lugar na tua vida.

* gostava que sentisses a liberdade de seres feliz.

* gostava que entendesses que no amor vais estar ainda mais perto do que na dor.

* Mãe é amor maior! É colo, é ninho, é porto seguro. Por isso, nota à redacção, o teu sorriso é o sorriso dela, a tua lágrima será a lágrima dela. 👭