A minha melhor amiga.

Não gosto de esperar. Estar na segurança social, nas finanças, na sala de espera de um médico, no cabeleireiro, podem ser verdadeiras torturas. Ao longo dos anos desenvolvi um hábito que me ajuda a passar o tempo, e que de alguma forma me diverte. Observo as pessoas, os diálogos, tento imaginar a história de vida por detrás de cada um. Ouço verdadeiras pérolas, algumas humorísticas outras recheadas de sabedoria.

Há uns anos atrás, estava eu no cabeleireiro e uma das funcionárias falava sobre a felicidade de estar de folga no dia seguinte, ainda por cima parecia que ía estar bom tempo.

Alguém comentou que as suas folgas, com sol ou chuva, eram passadas a arrumar a casa e as roupas. A Carla retorquiu, disse que na vida podia ter poucos luxos, mas um deles era ter uma senhora a dias sempre durante as tardes das suas folgas. Assim, dormia de manhã, almoçava com a mãe, saía para passear, ía buscar o filho à escola, lanchavam os dois, e quando chegava a casa estava tudo arrumadinho.

Comentou que a mãe lhe dava sempre nas orelhas, que lhe dizia que devia ser ela a arrumar, guardar o dinheiro que pagava à senhora e fazer um peteiro.

Eu ouvi-a falar e concordei com a mãe, mas só até ouvir a sua perspectiva. Dizia ela que havia prazeres na vida que tinham de ser gozados, um deles era aproveitar o tempo livre para ser feliz. E rematou, “quando eu morrer vai para a cova a minha melhor amiga”.

Raismeparta, que super frase!

Realmente, a sabedoria nem sempre vem nos livros. Há pessoas que por si só são enciclopédias inteiras, mesmo que algumas só se cruzem connosco durante cinco minutos. 📚

Ontem, hoje e amanhã.

Sou da opinião que qualquer compromisso assumido ao longo de muitos anos deve ser sempre com direito a renovações automáticas. Casamentos, amizades e outras cumplicidades, empregos, investimentos e muitos outros sentimentos. Tudo pelo efeito que o tempo tem feito nas pessoas.

Hoje, quando penso em mim, reconheço que a pessoa que fui aos vinte é tão diferente desta que aqui escreve, que é justo dizer que o meu marido me traiu comigo mesma.

Aos valores mantenho-me fiel, mas a interpretação hoje é mais profunda, os fundamentalismos são rejeitados e a humildade em me julgar como uma mortal, pecadora, aumentou significativamente.

É nos vícios e nos gostos que mais me estranho. Sobre eles posso dizer que sou, em muito, o oposto daquela que já fui.

Verdadeira fã da Coca-Cola, elegia-a como minha bebida de eleição anos a fio. Dei um saltinho pelo Ice Tea, mas é nos braços de Baco que hoje me consolo, mais branco que tinto, mais maduro que verde, mais Douro que Alentejo.

Quando me falavam do Oriente intrigava-me o fascínio que a história, a cultura, os países, exerciam sobre os interlocutores. Só a comida me parecia interessante. Hoje são os meus olhos que ficam em bico, é a mim que me intriga a forma como vivem e é a minha curiosidade que desperta para conhecer cidades e praias.

Estudei vários anos francês e inglês. O inglês sempre foi o meu preferido, ao francês achava-o desinteressante, uma língua morta que não ouvia na música e que detestava nos filmes. Pois hoje ouço o francês com outros ouvidos, mais ecléticos de certo. Os mesmos que me permitem apreciar uma (literalmente) música clássica e com ela vibrar e sentir emoções.

A minha maneira de vestir também mudou, tinha um estilo mais clássico, muito monocromático e certinho. Hoje tenho um estilo mais variado, as calças são rotas e visto mais cor, adoro rosa com vermelho. Outrora achava que não desceria da elegância de um salto alto, hoje o conforto de uma sola rasa é por demais sedutor.

Já tive verdadeira adoração por perfumes, sapatos, bolsas. Hoje continuo a apreciar mas não sustenho a respiração. Só os produtos de beleza continuam a seduzir-me como outrora, ainda que hoje com mais antioxidantes, anti-rugas, reafirmantes e outras coisas como tal.

O gosto pelas mudanças de penteado é meu desde sempre, mas é de agora a coragem de cortar cada vez mais curto.

A gargalhada continua estrondosa, sai menos vezes é certo, mas curiosamente o meu humor alargou o espectro.

À exactidão das certezas preferi o conforto das dúvidas. Das ciências vim para as letras. Do preto e branco quero artes.

Às vezes dou por mim a pensar em quem era e quem sou. Aos vinte anos achava que sabia exactamente o que queria da vida, aos trinta achava que a vivia, e aos quarenta a única certeza que tenho é que passou depressa demais.

Há um encanto nisto de nascer já crescida, diferente do dia anterior, tendo como denominador comum o olhar curioso a apontar para o dia seguinte. Mas pelo sim e pelo não, porque o tempo tem um tempo que só ele sabe, desejo à mulher que vai nascer no meu corpo amanhã, que aprenda o que se sente quando se sabe apreciar o presente. 🎁

Eduardo, o terceiro e o “meu” Eduardo.

De todos os Eduardos este é o único que conheço pessoalmente, e de todos foi aquele que mais me mudou.

O Eduardo foi meu colega de trabalho. Falaram-me da sua perda provavelmente no dia em que o conheci. Poucos anos antes tinha perdido o seu único filho, o seu melhor amigo, o seu maior amor. Mas não foi assim que o Eduardo conquistou a minha admiração. A sua perda fez-me apenas sentir empatia por uma pessoa de quem, praticamente, só conhecia o exterior.

À data, as minhas funções eram de gestão sobre funcionários e procedimentos, contas e outras operações. Meti mãos à obra, estava focada. Queria inteirar-me de tudo, começar o quanto antes. Queria resultados. Queria ver acontecer.

Cedo percebi que o capital humano não era empreendedor, deixava a desejar no profissionalismo, tinha vícios e pouca determinação.  Como sempre e em todo o lado, havia os irrecuperáveis e os recuperáveis. O Eduardo, a meu ver, estava no lado dos irrecuperáveis.

Quando os nossos olhos vêem oportunidades, temos dificuldade em perceber a falta de entusiasmo dos outros.

Trabalhei muito, com afinco. Mudamos muita coisa, implementamos regras e procedimentos. Mas na verdade o que nunca conseguirei fazer, por muito que tente, é mudar mentalidades.

O tempo ensinou-me quais as mentalidades que deviam ser mudadas. Sem grande surpresa, e como habitual, as do topo da cadeia.

O Eduardo ensinou-me que não era irrecuperável, só que também não conseguia mudar mentalidades. Viu muito antes o que eu vi depois, que o homem do leme não tinha rumo nem prumo.

Profissionalmente eu acreditava em suar a camisola, em arregaçar as mangas, em fazer o que ainda não tinha sido feito. Quanto mais difícil o desafio mais aliciante o achava. Quanto mais energia me consumia mais fascinada eu ficava. Só precisava de acreditar e de admirar aqueles para quem o fazia.

O Eduardo fez-me reconhecer que essa forma extremada de viver a minha profissão servia para me cansar, para que não tivesse tempo para analisar a minha insatisfação, o meu inconformismo. Para não mudar o que quer que tivesse de ser mudado na minha vida pessoal.

O Eduardo fez-me olhar para mim e perceber que ao contrário dele, quando me desiludo eu opto por mudar, ele fica. Mas só porque tenho menos inteligência emocional para lidar com a falta de caráter, com a falta de admiração pelos pares, pela desmotivação generalizada de trabalhar um mês para receber um ordenado. Ele não.

Ele tem a sensatez de ouvir só o que quer, de dar o seu silêncio a quem não merece as suas palavras, de continuar dia após dia, na dele, porque para ele e para a sua “Mariquinhas” a vida é outra coisa. No trabalho tem os seus dias, mas no geral aguenta-se bem. Aprendeu a não trocar um mês de trabalho por dinheiro, troca-o sim por memórias, de passeios que fazem sempre que podem, de petiscos e copos que alimentam o corpo e a alma. Parecendo que não, faz muita diferença. No fim leva-se apenas o que se viveu.👼

Eduardo Marinho.

Conheci Eduardo Marinho através de uma partilha da Marta Gautier. Tratava-se de uma participação dele no TedX e eu fiquei “de cara” como dizem os nossos irmãos brasileiros – por sinal a nacionalidade deste Eduardo.

Ouvi-lo falar é um misto de poesia, loucura, sonho e liberdade.

Eduardo nasceu numa família da média-alta sociedade brasileira. Cedo se questionou sobre o porquê de ele ter tudo e a maior parte não ter nada.

Nunca se conformou com isso, e nenhuma escolha que a família lhe autorizava o ajudava a encontrar o sentido para a sua vida. Com dezoito anos, depois de uma chantagem familiar, tomou a decisão e optou por não ter nada.

Vive a vida como quer, aprecia cada momento, faz o necessário para ganhar o suficiente, só para ter o básico.

É um homem extremamente culto, informado sobre a actualidade, com os pés na terra. É contra o sistema, é politicamente incorrecto, e o que diz não tem como ser mais correcto. É acutilante, não deixa nada por dizer.

“A sabotagem do ensino, a desinformação, a narcotização pelas mídias e a violência contra os pobres de grana são planejadas, comandadas, executadas e consentidas pelos pobres de espírito.”

Não tendo nada, é um homem rico. Em tempo, em histórias, na coragem, na ousadia, na inteligência, na sensatez e na sua sana loucura.

Este ano Eduardo comemora 57 anos e não tem dúvidas sobre ter sido na rua que encontrou o sentido da sua vida, resumido em duas palavras, é observar e absorver. 👣

Eduardo Galeano, o primeiro dos três.

Apesar de gostar de Eduardo, nunca foi nome que me dissesse nada de especial. Não tive nenhum amigo com esse nome, nenhum namorico, nem nunca o considerei para baptizar um filho.

Há alguns meses dei por mim a pensar na curiosidade de ter três Eduardos na minha vida. Cada um deles, à sua maneira, marcou-me, acrescentou-me conhecimento, enriqueceu-me a alma e fez de mim uma mulher melhor.

Hoje falo-vos do primeiro que conheci, por intermédio de um vídeo que a minha amiga T. me enviou.

Nesse vídeo, um jornalista espanhol entrevistava Galeano, jornalista e escritor uruguaio. Falavam das greves e revoluções que se viviam em Espanha por altura da crise financeira mundial, do seu impacto no Euro e na qualidade de vida dos espanhóis. Nas praças aglomeravam-se pessoas sem medo a lutar pelas suas conquistas, gritavam a plenos pulmões “se não nos deixarem sonhar, não vos deixaremos dormir”.

Galeano era um deles. Apesar de uruguaio, tinha uma relação próxima com Espanha, foi lá (e na Argentina) que se exilou por 12 anos, quando, após a vitória da ditadura pelo golpe militar no seu país, foi preso e viu o seu nome na lista do esquadrão da morte. Sobre esse período havia de ficar famosa uma das suas muitas citações: “As pessoas estavam na cadeia para que os presos pudessem ser livres”.

Em 2011, chegou a estar na linha da frente, ladeado por espanhóis, como muitas vezes esteve em outros países, com outros povos e outras culturas. Dizia que ali se vivia vitamina E, de Entusiasmo. Tudo porque acreditava que só o povo unido, independente de raças ou credos, poderia mudar o sentido hipócrita e interesseiro que o mundo enfrenta. Onde meia dúzia de pessoas detém o poder e o dinheiro, criam leis a seu favor, desrespeitam direitos e igualdades, privam a maioria de acessos básicos como uma educação conveniente, para que dessa forma predomine a cultura mediana e os mesmos de sempre não tenham concorrência à altura, nem à sua frente quem os enfrente.

“O que são as pessoas de carne e osso? Para os mais notórios economistas, números. Para os mais poderosos banqueiros, devedores. Para os mais influentes tecnocratas, incômodos. E para os mais exitosos políticos, votos.”

Conheceu o sucesso, viu as suas obras publicadas em dezenas de países e nunca se resignou nem trocou as suas convicções. Lutou contra a ditadura, era politicamente incorrecto e um homem sem medo. Acreditava na essência muito mais do que na aparência. Talvez por isso, num gesto genuíno e sofrido, três anos antes de morrer, ao chorar a perda do seu fiel amigo e companheiro, Morgan, a tenha considerado um duro golpe na sua vida, já por si tão repleta de tantas outras histórias que podia contar.

Falar de Galeano é um convite à abertura de espírito, à evolução humana, à rebeldia com causa.

Deixou este mundo em 2015, mas será eterno enquanto a utopia nos fizer falta para caminhar. 🏃

Três meses.

Hoje completamos o primeiro trimestre de vida, e com muita vontade de continuar.

Ultrapassamos preguiças, fizemos textos atrasados, folgamos um dia, publicamos pela primeira vez dois posts seguidos.

Cada vez mais sinto-me em casa.

Cada vez mais sinto que aqui é o meu reino. 👑

Parece que hoje é dia da Mulher.

E contra isso nada, afinal há dias para tudo, até para o homem, ao contrário do que se pensa.

Comemora-se hoje a luta que começou há séculos pelos direitos das mulheres, tema que continua muito pertinente apesar de tantos anos de sangue, suor e lágrimas (literalmente).

Diz-se que no dia 8 de Março de 1857, morreram aproximadamente 130 mulheres carbonizadas, quando foram trancadas na fábrica de tecelagem, em Nova York, onde trabalhavam, por estarem em greve. A greve era tão só por não acharem justo trabalhar 16 horas – não tinham tempo para os filhos.

Também há quem diga que essa greve em particular, e esse incêndio, são uma lenda (apesar de serem reconhecidos pela ONU e pela Unesco). Aconteceu sim um outro, por falta de segurança e excesso de horas de trabalho mas em 1911 – certo é que com mortes e na sua grande maioria mulheres.

Não obstante, a história é unânime, muitas greves existiram, muitas mulheres foram ostracizadas, muitas lutas se travaram.

De lá para cá muita coisa mudou, mas no essencial: trabalhamos mais do que os homens; não temos muito tempo para os filhos; especialmente nos cargos de poder continuamos a trabalhar o mesmo que os homens mas mais duas vezes para ganharmos voz; continuamos com acesso limitado aos cargos de poder; continuamos a ser discriminadas na contratação porque estamos em idade de parir; continuamos a ganhar menos do que os homens pelas mesmas tarefas; continuamos a ser matriarcas e a ter a gestão da casa quase por nossa conta; continuamos a “merecer” ser violadas porque a nossa maneira de vestir pode atiçar as hormonas masculinas; …

E depois dão-nos um dia, entre outros 364, e algumas acham simpático. Marcamos jantar com as amigas, fazemos brindes e pensamos que bom ter uma noite por ano para nos divertimos e não termos de cozinhar. Para as mais folionas até há propostas de restaurantes com homens conhecidos como figura de cartaz, e, como seria de prever, casa lotada.

Mulheres, enquanto o mundo não nos respeitar nenhuma de nós está de parabéns! Deixem-se de merdas, de jantares, de rosas, de homenagens. Em 1857 elas lutaram com a vida pelos direitos básicos. Em 2017 é imperativo ter vergonha na cara e continuar.

Um dia no ano é muita falta de ambição!!!

O mundo é nosso, não há poder no mundo que não seja parido por uma mulher.

Hoje, não é o nosso dia, hoje é o dia de quem começou a luta em 1857, e deu a vida por ela. Serão precisas gerações e gerações para ganharmos voz, para as bebés de hoje terem mais e melhores oportunidades amanhã.

Avisem os maridos, as amigas: jantares o c@r@lho, flores enfiem-nas num sítio que eu cá sei, nós queremos muito mais, nós somos Mulheres!

A foto que ilustra este post é de Carolina Beatriz Ângelo. A primeira mulher a votar em Portugal, tornando-se também na primeira de toda a Europa Central e do Sul, assim como de muitos outros países. Fê-lo em 1911, depois de ler a lei e de entender que o direito ao voto também a ela lhe estava conferido. Votou sim, mas não sem antes pôr a República em tribunal. A mesma República que dois anos depois mudou a lei para que tal episódio não se repetisse.

As palavras de Carolina sobre a sua interpretação da lei foram contundentes: “Conquanto não nos abra a porta, também nos não dá com ela na cara. Esse facto é que talvez o senhor não tenha notado e por isso se admire tanto”.

Carolina morreu cedo, no mesmo ano que exerceu o direito de voto. Deixou uma filha com apenas oito anos, mas apesar da tenra idade aproveitou bem o pouco tempo para lhe ensinar o que é isto de ser Mulher. 👏

Em contra mão.

Com os desígnios da natureza ninguém deve mexer. Descobri por minha conta e risco.

Fui ousada ao ponto de achar que poderia viver contra natura. Era a minha escolha, e era legítima. A quem dizia respeito, o respeito era total. Foi o quanto bastou para acreditar que assim seria, e seria bom.

Fui naif.

As pessoas mudam com o tempo e o tempo muda com elas. O que ontem fazia sentido, amanhã pode ser só descabido. Mas entretanto as opções haviam se tornado decisões. E essas levaram-nos a desilusões.

Decidi não ter filhos, mas sou mãe da minha mãe.

Decidi casar, mas em vez de uma casa quis uma comunidade familiar.

Decidi ser livre, mas deixo o meu coração preso a todos aqueles que miam ao meu lado.

Decidi ser luz, mas vivo perto da sombra.

Hoje já não decido muito porque já decidi demais.

Adio a separação na esperança de nos mantermos unidas, mas sinto um afastamento visceral. Adio o inevitável na esperança que se torne evitável. Mas os anos passam, a vida segue e cada vez os caminhos parecem mais afastados.

Não sei quem se separou primeiro, nem sequer sei se afinal éramos o que parecíamos ter sido. O que parecia serem gémeas siameses são agora a imagem de dois continentes separados por um oceano.

O dinheiro, a perspectiva do fim, o egoísmo, a doença, todos podem ser motivos. Mas, no fim das contas, só não pode ser por amor.

Para mim, em resumo, essa é a maior dor… 😿

Na semana passada fui um gato e hoje um peixe.

O título do post não podia ser mais verdadeiro, embora por momentos pareça só que enlouqueci.

Tenho uma amiga com quem tenho brincado estes dias. Ela tem três anos e eu, perto dela, tenho dois. Sou a mais nova porque quem manda é ela, claro!

Quando eu fui um gato ela foi um cão chamado unicórnio. Hoje eu fui um peixe e ela um esquilo.

A MCC é minha prima, filha de dois primos que amo e de quem já falei aqui no blog, a Sónia e o Ricardo. É uma menina criativa, muito inteligente, enérgica, desenvolta, perspicaz.

Tem no olhar a pureza de gostar de quem gosta e de não querer perder tempo com o resto. Não é criança para fazer cerimónias. Quando gosta é de verdade.

Consegue encontrar virtudes em mim que eu própria desconhecia, por exemplo, aparentemente sou óptima a atirar comida seca de gato de um lado para o outro.

Hoje fez-me um convite irrecusável, dormir com ela no seu pijama da Patrulha Pata. Não sei bem como o irei vestir, mas só de imaginar o privilégio de me emprestar o seu pijama não tenho como não aceitar.

A MCC é genuína, por enquanto ainda filha única (a meses de mudar o estatuto), e por isso poderíamos correr o risco de fazer os clichês habituais: deve ser egoísta, mimada, não gosta de dividir os seus brinquedos.

Pois não podíamos estar mais enganados, aliás a minha MCC parece-me que terá pouco de previsível. Sempre que me venho embora não me deixa sair da sua casa sem me mimar com, pelo menos, um boneco seu, diz-me que ele quer vir viver para a minha casa para fazer-me companhia.

Na próxima semana iremos brincar novamente (começo a desconfiar que estas brincadeiras fazem parte da minha terapia sobre ser menos razão e mais emoção). Ouvi-la chamar-me amiga ou ver o vídeo que o pai me mandou, depois de sairmos lá de casa hoje, faz-me sentir uma vontade de a abraçar daqui até ao céu!

Ainda não sei bem o que serei no próximo sábado, talvez aceite a sugestão dela e escolha ser borboleta.

Mas sei o que quero ser sempre, a amiga com quem ela pode contar pela vida fora. 👯