Crer em ler.

minha mãe é a grande responsável por cultivar em mim o hábito da leitura.

Em criança oferecia-me muitos livros. Recordo com especial carinho uma colecção da Condessa de Ségur (e outros autores) do Círculo de Leitores, ainda hoje a tenho. Saía um livro por mês, e eu lia cada história como se não houvesse mais nenhuma. Também adorava os livros de “Uma aventura…” que trocava com os meus primos, esses apareceram uns anos mais tarde.

Eu era filha única, e por isso as personagens e as suas histórias faziam-me companhia diária, eram os meus amigos imaginários.

Na adolescência cruzei-me com vários livros. Acho que os que mais me marcaram, pelo menos são os primeiros que me passam pela cabeça, foram: os Sonetos da Florbela Espanca, Os Bichos de Miguel Torga e Os Meus Problemas de Miguel Esteves Cardoso.

Comecei a ler muito cedo, ainda antes da escola primária, obra do meu tio A. que me ensinou pacientemente com livros do Patinhas.

Nunca imaginei parar de ler, fazia parte de mim, mas a verdade é que anos mais tarde, a leitura começou a rarear. Não deixei de gostar, pelo contrário, mas era como se os livros perdessem a capacidade de me teletransportar para o seu interior.

Hoje sei que eu é que perdi a capacidade de me concentrar no livro, de me abstrair do meu dia a dia e de sonhar com as histórias. Levava tudo muito a sério, e em bom rigor ainda hoje o faço – mas mais sério tem sido o esforço que tenho feito para contrariar esta tendência.

O curioso é que mesmo sem o hábito da leitura, os livros sempre foram objectos do meu desejo e por isso sempre continuei a comprá-los.

Ontem a T. ofereceu-me um livro. Como um dos meus desejos para este ano é ler um livro por mês, este será o meu livro de Janeiro. Mas não estou certa se será este que me fará sonhar, creio que terá antes um efeito catártico. O título é sugestivo “Famílias e como sobreviver com elas”. 📖