Man, it seems I am feeling like a woman…

A pretexto de umas pesquisas sobre possibilidades futuras tenho passado algumas horas a ver vídeos de youtubers mais ou menos populares no mundo da beleza.

Acho sempre impressionante a quantidade de produtos que compram e recebem, aquilo é gente para poder abrir uma loja e com stock!

Há duas rubricas mais ou menos vulgarizadas, especialmente entre as youtubers brasileiras: os produtos favoritos e os produtos que compram quando viajam (e Cristo, assim elas viajam!).

Parece-me que há outros denominadores entre elas, um deles é que compram este Mundo e o outro quando conhecem o estrangeiro, sempre atormentadas com aquele pensamento “eu posso nunca mais voltar cá”, sem qualquer hipótese de resistir a saldos ou outras promoções. Outra semelhança é que mesmo depois de encontrarem produtos milagrosos para si, perfeitos, continuam a experimentar outros. Porque raio alguém no seu perfeito juízo, adorando um produto que experimentou e super resultou para ela, vai experimentar outro???

Hoje fui ao shopping. Repor um produto que adorei na minha pele. Não que a embalagem tivesse acabado, mas a validade ficou vencida há muito, enquanto experimentava outras marcas do mercado. Também ia comprar um verniz, acabei por comprar dois, estavam em promoção… 🙄

Em contra mão.

Com os desígnios da natureza ninguém deve mexer. Descobri por minha conta e risco.

Fui ousada ao ponto de achar que poderia viver contra natura. Era a minha escolha, e era legítima. A quem dizia respeito, o respeito era total. Foi o quanto bastou para acreditar que assim seria, e seria bom.

Fui naif.

As pessoas mudam com o tempo e o tempo muda com elas. O que ontem fazia sentido, amanhã pode ser só descabido. Mas entretanto as opções haviam se tornado decisões. E essas levaram-nos a desilusões.

Decidi não ter filhos, mas sou mãe da minha mãe.

Decidi casar, mas em vez de uma casa quis uma comunidade familiar.

Decidi ser livre, mas deixo o meu coração preso a todos aqueles que miam ao meu lado.

Decidi ser luz, mas vivo perto da sombra.

Hoje já não decido muito porque já decidi demais.

Adio a separação na esperança de nos mantermos unidas, mas sinto um afastamento visceral. Adio o inevitável na esperança que se torne evitável. Mas os anos passam, a vida segue e cada vez os caminhos parecem mais afastados.

Não sei quem se separou primeiro, nem sequer sei se afinal éramos o que parecíamos ter sido. O que parecia serem gémeas siameses são agora a imagem de dois continentes separados por um oceano.

O dinheiro, a perspectiva do fim, o egoísmo, a doença, todos podem ser motivos. Mas, no fim das contas, só não pode ser por amor.

Para mim, em resumo, essa é a maior dor… 😿

Na semana passada fui um gato e hoje um peixe.

O título do post não podia ser mais verdadeiro, embora por momentos pareça só que enlouqueci.

Tenho uma amiga com quem tenho brincado estes dias. Ela tem três anos e eu, perto dela, tenho dois. Sou a mais nova porque quem manda é ela, claro!

Quando eu fui um gato ela foi um cão chamado unicórnio. Hoje eu fui um peixe e ela um esquilo.

A MCC é minha prima, filha de dois primos que amo e de quem já falei aqui no blog, a Sónia e o Ricardo. É uma menina criativa, muito inteligente, enérgica, desenvolta, perspicaz.

Tem no olhar a pureza de gostar de quem gosta e de não querer perder tempo com o resto. Não é criança para fazer cerimónias. Quando gosta é de verdade.

Consegue encontrar virtudes em mim que eu própria desconhecia, por exemplo, aparentemente sou óptima a atirar comida seca de gato de um lado para o outro.

Hoje fez-me um convite irrecusável, dormir com ela no seu pijama da Patrulha Pata. Não sei bem como o irei vestir, mas só de imaginar o privilégio de me emprestar o seu pijama não tenho como não aceitar.

A MCC é genuína, por enquanto ainda filha única (a meses de mudar o estatuto), e por isso poderíamos correr o risco de fazer os clichês habituais: deve ser egoísta, mimada, não gosta de dividir os seus brinquedos.

Pois não podíamos estar mais enganados, aliás a minha MCC parece-me que terá pouco de previsível. Sempre que me venho embora não me deixa sair da sua casa sem me mimar com, pelo menos, um boneco seu, diz-me que ele quer vir viver para a minha casa para fazer-me companhia.

Na próxima semana iremos brincar novamente (começo a desconfiar que estas brincadeiras fazem parte da minha terapia sobre ser menos razão e mais emoção). Ouvi-la chamar-me amiga ou ver o vídeo que o pai me mandou, depois de sairmos lá de casa hoje, faz-me sentir uma vontade de a abraçar daqui até ao céu!

Ainda não sei bem o que serei no próximo sábado, talvez aceite a sugestão dela e escolha ser borboleta.

Mas sei o que quero ser sempre, a amiga com quem ela pode contar pela vida fora. 👯

Era uma vez um cão chamado Peninha.

Que por sinal é meu sobrinho. O único canino, os demais juntam-se ao reino dos felinos.

O Peninha é um dos cães com o olhar mais fofo do mundo, a quem é muito difícil dizer não. Adora passear, faz buracos na praia como nem a Mota Engil faria para escavar petróleo, carrega estoicamente o maior e mais pesado dos paus (por kilometros se o deixarem), tem as suas obsessões com brinquedos, ossos e afins (ansioso o puto!), consegue brincar ao “atira a bolinha” mais horas seguidas do que eu consigo dormir (e eu sou boa nisso!).

Para além disto, ainda é um amor de menino. Lambe as lágrimas à sua mãe quando ela está tristonha, só quer ir para a cama quando vai a mãe e o pai, passeio a valer também é com os dois, choraminga e chama as vezes que forem precisas pelo elemento preguiçoso que só quer ficar de papo para o ar. É um doce sedutor e brincalhão.

O Peninha tem a sorte de ter dos melhores pais do mundo, e a V. e o J. têm a sorte de o ter, com um amor inesgotável e uma admiração inquestionável – para ele não há ninguém mais importante no mundo do que eles os dois.

O Peninha está na vida deles há quase cinco anos, chegou bebé, e eles estão na vida um do outro há oito.

Estão e estarão, mesmo agora, quando apesar da enorme cumplicidade e amizade que sempre os uniu, entenderam separar-se.

Até aqui a história poderia ser a de muitos casais, daqui para a frente, é que já só é para alguns.

A V. alugou casa a cinco minutos a pé do J. para que a guarda partilhada seja efectiva: de dia está com o J. e de noite está com a V. (e se for preciso trocar o “turno” ou fazer um duplo, qualquer um dos dois está disponível). Assim, o Peninha vai continuar a passear nos mesmos sítios, vai ter o amor e a companhia da mãe e do pai, sem qualquer tentativa de chantagem, intimidação, manipulação ou a puta que o pariu.

A ferida ainda dói para os dois, e ainda deve doer mais um bocadinho. Mudar rotinas, sair da zona de conforto é coisa, só por si, para custar muito. Mas os dois quiseram, acima de tudo, o bem estar do maior amor comum, o Peninha.

Desejo à V. que tenha sempre motivos para manter o seu sorriso, e que tenha sempre os pêlos do Peninha por perto.

Ao J. também.

O tempo às vezes não é o mesmo para os dois elementos de um casal, mas isso não apaga tudo o que viveram e o melhor que deram um ao outro.

O Peninha ainda terá algumas lágrimas para lamber, mas tenho para mim que as do J. será porque se separaram e as da V. será porque acabaram. O tempo o dirá.

V. admiro-te daqui até à lua, ir e vir ao pé coxinho. Não foi por acaso que nasceste ao contrário! 👸

Bom dia minha senhora!

Lembro-me como se fosse hoje da primeira vez que me chamaram “senhora”, corria o ano de 2010.

Estava a entrar num elevador e vinham quatro jovens a correr, o que estava mais atrás disse para os outros “peçam à senhora para manter a porta aberta”.

Nesse pátio havia mais seis elevadores, e por momentos, achei que estariam a referir-se a um outro, que eu, distraída, não reparei estar aberto. A dúvida ficou desfeita quando entraram de rompante no meu…

A verdade é que foi literalmente de um dia para o outro que este fenómeno me aconteceu. No dia anterior chamavam-me menina, no dia seguinte passei a senhora.

O que raio trazemos escrito na testa para dar essa indicação?!

De lá para cá, com muita pena minha, só ouço o “menina” por simpatia.

Homens da blogosfera que por engano aqui vieram parar, senhora não é sinal de respeito. É pesado, é distante, é frio. Menina sim, é um doce! Podem agradecer depois. 😹

Amor, uma a ele outra ao dinheiro.

Foi há três semanas que a P. e o C. vieram cá a casa trazer-nos o convite para o seu casamento.

Por altura do Natal, quando falamos para trocar os votos, disse-me que tinha uma surpresa para me contar, arrisquei logo adivinhar: “vais casar!”. Não podia ter acertado mais, nem podia ter ficado mais contente.

O C. é genuinamente boa pessoa, com bom coração. Tem os seus defeitos, como todos, os seus vícios, como a maior parte, momentos onde só é parvo, como muitos, mas tem sempre bom coração, como poucos.

Conheço o C. há mais de vinte anos, creio já ter alguma propriedade para dizer que o conheço bem.

A P. apareceu na sua vida há meia dúzia de anos atrás, mais coisa menos coisa.

Tenho por ela uma admiração considerável, não seriam muitas aquelas que teriam a coragem de fazer a escolha que ela fez – enquanto casada não trabalhava, viviam muito bem e ela só tomava conta das filhas. Certo dia entendeu que o casamento estava terminado, mantiveram-se amigos e agarrou-se ao que havia, faz limpezas até hoje, com orgulho de ser quem é.

E é uma mulher bonita, alegre, bem formada, mãe e (já) avó babada, e uma super companheira para o C. – com prova prestada ao longo da maior parte do namoro. Esse namoro que foi tão condicionado porque o C., como filho exemplar, acompanhou o pai durante anos no evoluir da sua doença e até à sua última hora.

Torcer pela felicidade dos dois é intuitivo, não tem como não o fazer.

Mas, e parece que há sempre um mas, o facto da P. passar a ser a herdeira do C. não agradou a todos. Havia quem contasse que o seu herdeiro tivesse mais “sorte”, falo de uma prima do C. que acreditava ser o seu filho o feliz contemplado.

O C. nem é rico, mas felizmente tem a vida estabilizada. O suficiente para cortarem a P. das fotografias onde está com o C. antes de as colarem no álbum, mesmo como quem diz, “aqui não entras”. De pouco lhes adiantará, porque no álbum da vida deles quem escolhe as fotos é ela.

Enfim, não será à toa que sou (e tenciono continuar) socialmente inadaptada.

Honestamente, tenho para mim, que esses que pensam igual não deram conta que na hora certa vão ter de pagar, porque daqui ninguém sai a dever. 💸

 

Cumplicidades.

Hoje é dia de S. Valentim. Em muitos países, especialmente na Europa, é ele o Santo que apadrinha o dia dos namorados.

Na verdade esta data nem é tanto do S. Valentim, nem tão pouco dos namorados, é mais do comércio que cria motivos para nos ir à carteira mais vezes.

Mas ainda assim, tenho a desculpa perfeita para que o tema de hoje seja uma genuína declaração de amor à pessoa com quem casei.

Não somos um casal de grandes festividades neste dia e nem de prendas (ainda que o façamos muitos outros dias sem nenhuma razão aparente a não ser a vontade). Este ano celebramos com um almoço a dois e jantar na presença de muitos (porque os patudos estavam incluídos, claro!).

O tempo passa muito depressa. Este é o décimo segundo dia dos namorados que passamos juntos, no ano em que fazemos oito anos de casados e treze de namoro (o mesmo é dizer treze de vida em conjunto, já que o namoro propriamente dito foram menos de três meses).

Digo muitas vezes que estamos juntos por mérito teu, pela tua teimosia, porque me viste com os olhos da alma e do coração. Ignoraste a minha “muralha” defensiva, o meu mau feitio, tiveste a paciência e a persistência de aceitar que o tempo seria um aliado na tua conquista e em fazer-me abdicar das convicções de uma solteirona que se acreditava inveterada, e ainda por cima, namoradeira.

Soubeste mostrar-me como é bom dormir achicharrada. Soubeste demonstrar-me como sabe bem o sentimento de paz e de porto seguro que se segue à fase das borboletas no estômago. Soubeste provar-me que não ias embora, nem para comprar cigarros. Fazes-me acreditar na lealdade, na amizade, na cumplicidade.

Construimos um lar, adoptamos e amamos uma família sui-generis (a nossa!), temos um bonsas só nosso, partilhamos gostos e vontades, aprendemos juntos a gostar de sushi, viajamos e conhecemos destinos encantadores.

Tu és Primavera ou Outono, calor ou frio, mais moderado, mais tranquilo, sabes que o mundo não acaba amanhã. Eu sou Verão ou Inverno, tenho resposta pronta e uma frontalidade mordaz, estou mais tranquila mas continuo com sede de vida. Um equilibra o outro e complementa-o o melhor que sabe.

Não, não somos perfeitos. Mas na nossa imperfeição temos um cantinho só nosso que me faz desejar estar contigo até ser velhinha. 👫

Hoje é dia de festa!

Há oito anos atrás vivi o dia mais feliz da minha vida.

Em 2007 recebi uma prenda de Deus, feita à mão e desenhada por Ele, a Milupa. No ano seguinte, o mais doce dos gatos brancos escolheu-nos para papás, o Rufus, assim baptizado pelo A., aquele que se tornou o seu maior amor. Vai daí e em 2009, no dia 06 de Fevereiro, presentearam-nos com quatro prendas deliciosas: Caetana, Mateus, Sãozinha e Lady Laura.

Hoje aqui por casa já se cantaram os parabéns, já houve comidinha da boa e muitos miminhos.

Há quem diga que eles têm muita sorte por nos terem como papás, mas a verdade é que somos nós quem tem muita sorte em tê-los na nossa vida. Poder desenvolver sentimentos, cumplicidades, formas de comunicar, amar sem esperar nada, trocar mimos, partilhar a vida do dia-a-dia, é uma experiência única.

Sei-me abençoada por saber amar e ser amada por animais. Acreditem, não é uma virtude, é mesmo uma benção! 🙏