Quem Deus abençoa, ninguém amaldiçoa!

Hoje fui confrontada com uma situação sui-generis. Não foi a primeira vez (e creio que não será a última) que vivi, na primeira pessoa, uma situação de pura maldade alheia, fortuita e gratuita.

Não sou da opinião que fazer maldades aos outros para benefício próprio seja legítimo, correcto ou aceitável, de todo! Mas cá dentro da minha cabecinha sempre há uma “justificação” para a filha da putice.

Mas o que se ganha quando nada há a ganhar? A não ser talvez ver o outro com dor de cabeça, entre papéis e licenças?

Andei o dia todo a pensar nisso. Não cheguei a conclusão nenhuma mas, por exclusão de partes, aposto as minhas fichas em conseguir satisfazer a inveja que há dentro da criatura.

Estou chateada, irritada e grata! Muito grata! Mas mesmo muito grata a Deus, à vida e à minha Mamy por me darem e criarem com um coração do bem. Deve ser do caralho viver sempre na mesquinhice, no amargo do fel, na penumbra, sem paz de espírito, preocupado como e quando alimentar aquele monstro dentro de si.

Acredito mesmo que a vida é outra coisa, muito mais importante. 🙏

Até que a morte os separe.

Não poucas vezes a minha inspiração para a escrita vem do que escuto, seja nos media, seja ao vivo e a cores.

Hoje, na fisioterapia, ouvi a minha querida terapeuta A., noiva há um ano, falar da sua check-list para o grande dia em Setembro com outra paciente, mãe de uma noiva, curiosamente também ela moça casadoira no mesmo mês.

Perguntavam uma à outra se já estavam escolhidos os penteados, os vestidos, os ramos. Trocavam ansiedades e marcas de renome no mundo dos casamentos.

Há toda uma indústria envolvida em torno do “felizes para sempre”, portentosa e talentosa, responsável por transformar meia dúzia de flores num ramo de noiva que irá, por si mesmo, não só embelezar a noiva como ditar a sorte da próxima a desencalhar noivar.

Os valores associados a tudo o que envolve a união são quase pornográficos, mas é suposto ser um dia de sonho. E aí está o que de verdade me intriga, será que desde meninas sonhamos todas com o mesmo??! Ou será que, algures no universo feminino, a ideia de ficar para tia solteira é significado de ter sido rejeitada, de ninguém a querer? Desengane-se aquele que acredita que casar é a oitava maravilha do Mundo. Dividir o espaço e a intimidade com uma pessoa, está longe de ser o exercício mais romântico do planeta. Se não for com alguém que valha mesmo a pena, bendita seja a vida de solteira!

O entusiasmo, o empenho e o custo que a noiva dedica ao seu dia faz, normalmente, com que ela seja a estrela. É como se fosse o seu momento para brilhar. Não é um contra-senso que os momentos de uma só pessoa marquem o início de uma vida a dois?

Não que para os homens tudo seja indiferente, claro que não! Eles têm gosto e opinião, mas regra geral são muito mais simples, não se interessam com a cor dos guardanapos e nem das toalhas. Não fazem provas no cabeleireiro nem fazem questão de conhecer o pasteleiro.

A lista de convidados também me deixa intrigada, a facilidade com que se supera a fasquia da centena de pessoas é impressionante. E não poucas vezes chega-se às duas centenas ou mesmo três! Para quem se confessa socialmente inadaptada é perceptível que teria de correr a minha lista toda de contactos no telemóvel para conseguir estes números, talvez precisasse até de ir ao facebook buscar reforços.

Mas pessoas, sou só eu que acha estranho partilhar esse momento com metade da freguesia ou há por aí mais alguém a pensar que é coisa para merecer mais intimidade?

Sendo eu pessoa casada não é difícil adivinhar que não segui a cartilha mais usual. O ramo foi uma rosa, comprada horas antes, entregue em mãos à C., a pessoa responsável da Pousada onde casamos (reservada três meses antes) que escolheu a decoração, por sua conta e risco, e criou uma sala linda. O vestido foi idealizado e costurado pela T., uma costureira, mulher, amiga, a quem fui um mês antes, tão prática que me disse de imediato “vens no tempo certo, às vezes as noivas vêm um ano antes e eu digo logo para virem mais tarde, até lá ainda vão engordar ou emagrecer, até podem ficar prenhas”. O fotógrafo, um amigo e colega de trabalho, chegou depois da cerimónia, a lua de mel aconteceu três meses antes do casamento, e foi uma mulher a dizer “pode beijar a noiva”. Não houve convites, nem provas de cabelo ou maquiagem – foi sem rede, tal como é o casamento.

Casar nunca foi um sonho na minha vida, nem na do A., talvez por isso as expectativas não fossem muito altas e, no final, tenha sido mesmo um dia de sonho.

A verdade é que não é o dinheiro gasto que faz um dia feliz. 💑

I am seeing strange behavior in people i used to know…

Conheço-o desde que nasceu. Fomos muito próximos em miúdos, crescemos mais afastados, reencontramo-nos há alguns anos atrás e aproximamo-nos de novo.

Sempre o admirei, pela genuinidade, pela simplicidade, pela autenticidade, pela forma de estar na vida.

O ano de 2017 começou para ele com uma partida do destino, que o fez partir dois corações ao mesmo tempo, um dentro do outro.

A tentação é filha do Diabo, e ninguém diga que lhe resiste. Há horas do Demo. Podia ser assim com qualquer um.

Tudo o que se seguiu ao acto consumado é, para mim, mais sofrido que o consumar da tentação: a naturalidade da aceitação, a indiferença a um sofrimento tão próximo, o desejo à resignação alheia.

Vi-os juntos quando Cristo ressuscitou e, quando O beijei, pedi-Lhe baixinho para não deixar o Homem separar aquilo que Deus uniu. Torço para que vença o amor.

Sou apenas uma pecadora, alguém sem qualquer poder para julgar outros, mas ainda assim não consigo sentir-me indiferente ou distanciada.

Não é a tentação que me incomoda, é a traição. A traição de jurar cuidar de alguém e olhá-la nos olhos sem perceber que lhe roubou a alma.

Até agora este ano foi-lhes tão improvável que se mostra provável acontecer a qualquer um.

E se um dia, por obra do Demo, também eu me vir nas horas dele, que eu saiba parar antes de me perder. Quer fique no amor que vivia, quer na paixão da tentação, que eu saiba olhar nos olhos de quem esteve anos a fio ao meu lado e nunca esqueça que lhe devo o melhor de mim – o meu mais puro respeito por quem dividiu a vida comigo.

Eu sei que me vais ler. Promete-me que vais reler, tantas vezes quantas necessário, para perceberes que estarei do teu lado escolhas o caminho que escolheres. Mas promete-me que vais olhar nos olhos dela, procurar a sua alma e devolvê-la. Ela é, e será sempre, “a hell of a woman”! 💐

Be happy!

Sou de luz, de sol, de calor!

Não gosto do frio mas gosto das primeiras chuvas e do cheiro que deixam na terra. Creio que a chuva tem o mesmo efeito que algumas lágrimas – purifica o ar.

Sou das teimosas, das que insiste em levantar-se sempre que cai!

Confio, sei que a fé move montanhas!

Gosto de gostar, e embora goste de poucos, desses gosto muito!

Gosto da capacidade de ver oportunidades nas dificuldades.

Gosto de música, de comer, de vinho.

Gosto de rir e sentir-me feliz.

Mas, e o trabalho que isso dá?!? A energia que consumimos para fazer-nos felizes? A determinação que é preciso para não descambar?

Ser feliz dá muito trabalho, ser infeliz parece mais fácil.

Um infeliz encontra motivos e pretextos para continuar a ser assim e está sempre mais acompanhado. À partida ninguém o inveja, há até os que têm pena dele (a começar pelo próprio). E como há sempre alguém que está pior, um infeliz vive aquele misto de emoções: o alívio por não estar tão mal e a tristeza pelo mal do outro. Não importa quem seja, desde que garanta a tristeza. No fundo, bem vistas as coisas, o que importa mesmo é ele próprio.

É inimaginável o quão difícil é a convivência entre duas pessoas que se amam mais que tudo, fazendo uma esforços para ser feliz e a outra entregando-se simplesmente à infelicidade. É indiscritivel o esforço da alma para assistir ao dia-a-dia do infeliz e, ainda assim, manter viva a força de ser feliz.

Um infeliz está preparado para quase tudo, até para o fim do mundo. Mas teme tudo, até o fim do dia.

Um feliz acha sempre que amanhã é outro dia. E que só pode ser melhor!

Nada como um dia depois do outro. E que o que vier a seguir venha por bem! 😺

Once again.

I am so tired. Today not even my face can disguise.

The last three months were without stress, and yet i’ve got some days were my body and my mind were like shit.

I am sart believing that it’s not normal.

Maybe the true problem is that i am always thinking in being the best for my lovers, and forget to put me in first place.

By the way, this is my first post in another language, seems we are getting international. 😹

Pedro, Hamid e, por certo, muitos outros.

Começo este desabafo com uma manifestação de interesse, sou pessoa que não gosta muito do ser humano no geral. Acho que ainda somos um animal absolutamente primata, norteado por instintos primitivos, com uma tremenda falta de respeito pelos outros e uma abusada cara de pau entre direitos e deveres. Nota à redação: tenho a sorte de conhecer honrosas excepções (e infelizes constatações!).

Por isso mesmo, não sendo fundamentalista, também não sou pessoa que gosta de se aventurar nessa coisa de conhecer novas pessoas, socializar, conviver assim no geral.

Desde que me lembro por gente sempre fui mente aberta. Muito ajudou ter sido educada por uma mulher que se divorciou há quase quarenta anos e que refez a sua vida amorosa várias vezes. Durante muitos anos ensinou-me (com palavras e atitudes) que não somos o que os outros pensam de nós, somos o que lutamos pela nossa felicidade.

E, também desde que me lembro por gente, sempre fui dona do meu nariz. Não acho que os outros possam definir os meus limites, as minhas regras, os meus desejos.

Pela minha história, pela minha personalidade, pelas pessoas com quem cresci, cedo aprendi que a minha liberdade acaba onde começa a do outro. Aliás considero esta uma das minhas mais bonitas virtudes. Acrescento-lhe a forma como, de maneira geral, encaro o preconceito.

Não sou racista, não defendo a superioridade de nenhuma religião, estou muito longe de ser homofóbica, e por aí vai.

Mas, e há sempre um mas, já vivi situações onde a minha capacidade de julgar foi muito mais rápida que a minha capacidade de observar.

Ontem foi a minha mais recente experiência. Estava a fazer voluntariado, com a T. e o M., quando se aproximou de mim um rapaz, de bicicleta, que me perguntou se eu falava inglês. Olhei para ele e disse-lhe que não. Quis evitar qualquer conversa, que em milésimas de segundo, imaginei ser para me pedir alguma coisa. Pois que, na verdade, o rapaz era voluntário da mesma associação e, como estava de bicicleta e nós estávamos a pé e carregados, o que ele queria mesmo era oferecer-nos a sua ajuda.

Soube mais tarde, por outra colega, que ele era recém chegado à associação. No dia em que se inscreveu, agradeceu várias vezes por, sendo estrangeiro, o deixarem fazer parte do projecto. Possivelmente esta será uma forma de integração à nossa cidade, a pessoas com uma cultura diferente, num país muito longe do seu, onde até a língua não ajuda.

No fim das contas, mesmo sem ser sua intenção, deu-me uma bela lição. Quão altruísta eu, que até estava a fazer voluntariado… Só me esqueci de um “pormenor”, era por pessoas e para pessoas que ali estava.

Nada como ver primeiro e julgar depois.

Eu fui ontem pela primeira vez, pontualmente, para dar um apoio ao M. até a T. chegar. Ele, desde que começou, vai todos os dias. Eu achei que ele me ia pedir alguma coisa. Ele só queria oferecer ajuda. 🤔