Man, it seems I am feeling like a woman…

A pretexto de umas pesquisas sobre possibilidades futuras tenho passado algumas horas a ver vídeos de youtubers mais ou menos populares no mundo da beleza.

Acho sempre impressionante a quantidade de produtos que compram e recebem, aquilo é gente para poder abrir uma loja e com stock!

Há duas rubricas mais ou menos vulgarizadas, especialmente entre as youtubers brasileiras: os produtos favoritos e os produtos que compram quando viajam (e Cristo, assim elas viajam!).

Parece-me que há outros denominadores entre elas, um deles é que compram este Mundo e o outro quando conhecem o estrangeiro, sempre atormentadas com aquele pensamento “eu posso nunca mais voltar cá”, sem qualquer hipótese de resistir a saldos ou outras promoções. Outra semelhança é que mesmo depois de encontrarem produtos milagrosos para si, perfeitos, continuam a experimentar outros. Porque raio alguém no seu perfeito juízo, adorando um produto que experimentou e super resultou para ela, vai experimentar outro???

Hoje fui ao shopping. Repor um produto que adorei na minha pele. Não que a embalagem tivesse acabado, mas a validade ficou vencida há muito, enquanto experimentava outras marcas do mercado. Também ia comprar um verniz, acabei por comprar dois, estavam em promoção… 🙄

RAP, uma história de humor.

Desde miúda que estremeço quando alguém quer contar anedotas. D-E-T-E-S-T-O!

A consciência de que é suposto rir para que a outra pessoa se sinta confortável é meio caminho andado para me sentir desconfortável.

Mas, curiosamente, é no humor que encontro uma terapia sensacional! Seja uma gargalhada ou um sorriso genuíno, deixam-me mentalmente mais leve, com uma sensação de que a vida é mais fácil.

Existem dois ingredientes fundamentais para me fazer rir, a espontaneidade e a inteligência na desconstrução. Normalmente a espontaneidade arranca as gargalhadas mais sonoras (e estridentes). A inteligência na desconstrução, seja de verdades, de politicamente correctos, de estigmas ou paradigmas, é responsável por sorrisos recheados de admiração.

Existem pessoas cuja maneira de ser (ou de estar profissionalmente) admiro tanto que sou capaz de as ver e ouvir horas seguidas, e não poucas vezes, o meu ponto de vista é discordante do delas. Mas é isso que me fascina, a capacidade que têm de me fazer ver as coisas sobre outro prisma; a ousadia de me fazerem rir com assuntos sérios e a inteligência de verem o oposto do normal.

Dentre vários há um nome que, para mim, é uma constante. E por falar em humor e desconstrução, o único que fez capa da Playboy e vestido – Ricardo Araújo Pereira.

Quando normalmente nos dividimos entre aqueles que veem o copo meio cheio e o copo meio vazio, é um elixir de juventude testemunhar os que veem o copo virado para baixo. É que muitas vezes a vida só faz sentido de pernas ao alto. 😹

Inspiração do dia.

Mudei de visual há poucos dias, cortei o cabelo, pintei-me de loira. Gosto de mudanças, mudam ciclos.

Mas o meu cabelo sentiu-se, o loiro amarelou, a navalha entrou no corte e desbastou demais.

Hoje fui a um cabeleireiro novo, já muito recomendado pela minha cunha, o I.

“Achocolatei” e derreti. Não tinha expectativas, a não ser ver o meu cabelo mais saudável. Objectivo superado!

Há pessoas que gostam do que fazem e há pessoas que nascem para fazer o que fazem.

Looking inside for finding my own true talent. Today was about inspiration. Simple is always the best.

By the way, V., what a lunch!! 😘

I am seeing strange behavior in people i used to know…

Conheço-o desde que nasceu. Fomos muito próximos em miúdos, crescemos mais afastados, reencontramo-nos há alguns anos atrás e aproximamo-nos de novo.

Sempre o admirei, pela genuinidade, pela simplicidade, pela autenticidade, pela forma de estar na vida.

O ano de 2017 começou para ele com uma partida do destino, que o fez partir dois corações ao mesmo tempo, um dentro do outro.

A tentação é filha do Diabo, e ninguém diga que lhe resiste. Há horas do Demo. Podia ser assim com qualquer um.

Tudo o que se seguiu ao acto consumado é, para mim, mais sofrido que o consumar da tentação: a naturalidade da aceitação, a indiferença a um sofrimento tão próximo, o desejo à resignação alheia.

Vi-os juntos quando Cristo ressuscitou e, quando O beijei, pedi-Lhe baixinho para não deixar o Homem separar aquilo que Deus uniu. Torço para que vença o amor.

Sou apenas uma pecadora, alguém sem qualquer poder para julgar outros, mas ainda assim não consigo sentir-me indiferente ou distanciada.

Não é a tentação que me incomoda, é a traição. A traição de jurar cuidar de alguém e olhá-la nos olhos sem perceber que lhe roubou a alma.

Até agora este ano foi-lhes tão improvável que se mostra provável acontecer a qualquer um.

E se um dia, por obra do Demo, também eu me vir nas horas dele, que eu saiba parar antes de me perder. Quer fique no amor que vivia, quer na paixão da tentação, que eu saiba olhar nos olhos de quem esteve anos a fio ao meu lado e nunca esqueça que lhe devo o melhor de mim – o meu mais puro respeito por quem dividiu a vida comigo.

Eu sei que me vais ler. Promete-me que vais reler, tantas vezes quantas necessário, para perceberes que estarei do teu lado escolhas o caminho que escolheres. Mas promete-me que vais olhar nos olhos dela, procurar a sua alma e devolvê-la. Ela é, e será sempre, “a hell of a woman”! 💐

Maio, mês de Maria.

E mês de regressar a um projecto que, ainda bébé, muito gozo já me deu, a Dona Bitaites. Não sou pessoa de meio termo, em nada. Quando comecei a não publicar um dia ou outro, depressa dei por mim sem publicar mais de um mês. Haja disciplina. Volto aos diários!

Neste período de ausência cumpri alguns objectivos, comecei a fazer Pilates, bebo diariamente 0,5L de água (ainda não é grande coisa eu sei, mas chegarei lá) e estou no mês de começar as caminhadas. Dois dias por semana, uma hora em cada dia.

Em Abril marquei na pele dois amores, o perfume das rosas, um coração e a eternidade.

Aprendi a respirar e tornei-me mais alta, literalmente, obra de Pilates.

O tempo tem passado muito depressa. Sempre acreditei que quando tivesse todo o tempo para mim, teria todo o tempo do mundo. Mas não é assim, de todo! Tenho a sensação que agora os dias ainda passam mais depressa do que antes. A grande diferença está na sensação interior que o passar do tempo me deixa, mais de bem com a vida, menos ansiosa, mais serena.

Sempre gostei de Maio. Neste mês o sol aparece de forma assídua, os dias são ainda mais longos, e nos meus tempos de estudante era por esta altura que aparecia o cheiro a férias, parecia-me sempre um fim de um ciclo (o das aulas) e o início de outro (o das férias grandes), mais leve e bem disposto. É exactamente isso que espero de ti Maio de 2017, e que sejas um mês de amor! ❤️

A minha tia J.

A minha tia J. foi uma das mulheres que mais me marcou na vida.

Ainda hoje, quando penso nela, sinto aqui um desassossego com Deus, não fez sentido o modo como partiu, tão cedo.

A J. era minha tia por casamento, quando eu cheguei ao mundo já ela tinha chegado à família. Eu vim a seguir ao primeiro dos netos, o meu primo P., seu filho com o meu tio Z..

Lembro-me dela muitas vezes. De toda uma vida fielmente dedicada ao trabalho e à família.

Tinha uma capacidade única de se entregar na alma de todas as prendas que me deu, que tanto me marcaram. Nunca foram só para marcar uma data, foram sempre para marcar uma etapa, uma emoção, para criar memórias. Como quem adivinha que vai embora cedo e quer deixar na memória dos seus a sua lembrança perpetuada.

Sendo do Minho o ouro fazia parte da sua vida, era o seu pequeno luxo. Tinha bastante, comprado com muito suor e sempre aos bocadinhos. Foi das suas mãos que recebi as primeiras contas para fazer o meu colar.

Lembro-me até hoje da alegria com que me telefonou a dizer que eu tinha ganho o cartão de uma ourivesaria onde éramos clientes. Não sei se teria ficado mais contente se fosse para ela.

A minha tia J. deu-me os meus primeiros soutiens, lindos, femininos, e no meu tamanho à data –  o que foi surpreendente porque ela não tinha nenhuma pista por onde adivinhar. Receber esse presente foi coisa “de mulher para mulher”. Fez-me sentir crescida! Ainda hoje os guardo com muito carinho.

Teve dois filhos homens, muito diferentes entre si, o P. e o V.. Eram o seu mundo, o seu maior orgulho. Tinha um gato, grande e lindo, muito bem tratado. E o meu tio, o seu Z., sempre muito paparicado.

A minha tia J. trabalhava numa pastelaria, entrava com o nascer do Sol e muitas vezes ao sair já estava a Lua. No inverno, entrava de noite e saía à noite, via o dia enquanto atendia a sua gente. Na Páscoa e no Natal aquela mulher trabalhava que não tinha explicação. E nunca a ouvi queixar-se.

Não havia quem não a conhecesse, quem não gostasse dela. Tinha uma figura cuidada, sempre de cabelo arranjado, não se maquiava, mas tinha uns belos olhos azuis, que em conjunto com um doce e franco sorriso, lhe emolduravam o rosto.

Quando a visitava na pastelaria enchia-me de docinhos. No Verão, dava-me sempre um gelado artesanal de cone que lá faziam – esses sim, os melhores do mundo.

Era uma pessoa de afectos. Alegre, enérgica e sem papas na língua.

Hoje, mulher que sou, já quarentona, o que acho mais impressionante era o facto dela estar sempre presente e, ao mesmo tempo, sempre a trabalhar. Não sei como o fazia, onde arranjava o tempo e a energia.

Só folgava um dia por semana, aos Domingos, mas tinha sempre a sua casa arrumada, com tudo limpo e nos sítios, era uma cozinheira de mão cheia, garantia todas as refeições para a família, tratava da roupa de todos, estavam sempre impecáveis. Enquanto a minha avó era viva, já acamada, visitavam-na todas as semanas e levava-lhe bolinhos para lhe adoçar a alma.

No seu dia de folga adorava receber a família e os amigos, com mesa farta, abraço apertado, voz alta e fala rápida. Sempre preocupada a ver se estavam todos bem, se não faltava nada na mesa, se todos estavam a comer.

A última lembrança física que tenho dela, foi quando, já doente com cancro, e em vésperas da sua operação, organizou uma festa de anos para o meu tio. Dizia que podia ser a última e não queria que fosse triste, nem que lhe faltasse nada. Juntou muitos, de sangue e da vida. Cozinhou, decorou, arrumou, limpou, amou.

Amou muito, toda a vida, e eu guardo a sensação de que amou mais do que foi amada. Talvez porque aquele que sabe dar por excelência, não sabe ser excelente a receber. Talvez porque ninguém imaginasse que ela fosse embora tão cedo. Talvez porque, mesmo se pudéssemos voltar atrás, a vida não deixasse fazer melhor.

Os seus filhos são a prova viva da mãe que ela foi, e não conhecer fisicamente as netas é uma privação que nunca vou entender. Que avó seria meu Deus… A B., a M., a M., esta última ainda a caminho, nunca vão perceber o amor que lhes estava guardado. Mas ela, lá de cima onde as vê, tenho a certeza que desce muito vezes para as amparar, para as mimar. Sei-o porque não se dava quieta no mesmo sítio, e porque nunca deixava que faltasse nada aos dela, muito menos amor.

O seu colo faz-me falta.

No dia do seu funeral não acompanhei o caixão até à sepultura, fiquei perto da entrada do cemitério. Onze anos depois, contrariando a minha natureza, fui procurar a sua última morada, queria vê-la. Creio que nunca mais voltei a entrar naquele cemitério desde o seu funeral. O seu colo estava à minha espera. Foi como se me guiasse porque, impressionantemente, eu fui ter com ela direitinha. Ao chamado do amor, nem a morte a impede de nos mimar. ❤️

Sou do tempo de Ayrton Senna.

Sou do tempo em que as tardes de domingo começavam, indiscutivelmente, a assistir Fórmula 1.

A picardia entre Senna e Prost alimentava toda a corrida. Sempre torci pelo brasileiro, ferrenha!

Senna nasceu para vencer, e vendo bem, não faria sentido morrer de outra forma.

Era um desportista carismático, perseverante, teimoso, focado, dava tudo o que tinha na pista. A adrenalina vencia-lhe o medo.

Soube correr intensamente, com polêmica e com o seu jeito rebelde. Fez da Fórmula 1 um desporto do povo, onde metade do Mundo vestia verde e amarelo.

Depois da sua morte nunca mais vi Fórmula 1, e as notícias que conheci sobre o desporto fizeram-me crer que tinha voltado para as elites.

Senna foi isso mesmo, o homem que não ficou famoso com a Fórmula 1, mas antes o homem que fez famosa a Fórmula 1. Fez com que fosse seguida, torcida e vivida de forma entusiasta, por milhões de pessoas, como nunca mais o foi. A alma deste desporto ficou no circuito de Ímola, em 1994.

Já Senna vive até hoje, com prémios e mais prémios arrecadados, mesmo depois da sua morte. É considerado o melhor piloto da história da Fórmula 1 de todos os tempos, o desportista do século XX no Brasil. Mais de vinte anos depois da sua morte continua ser um dos maiores ídolos do Brasil e do Mundo.

Dia 21 de Março de 2017. Parabéns pelos teus 57 anos.

Que a via láctea seja a estrada para ti. E que nunca percas a pole-position! 🏁

Hoje foi o dia.

Adoro mudar o visual do meu cabelo. Fazer mudanças à séria. Isso de cortar as pontinhas não é audácia nenhuma.

Cortar, pintar, pentear. O rosto ganha nova vida e a vida ganha novas etapas.

Tenho para mim que esse gosto se desenvolveu à conta da minha avó. Eu tinha nove anos e um cabelo LINDO, comprido, preto, liso, sem jeitos. Pois que a minha avó encantava-se com a perspectiva de eu cortar o cabelo curtinho, à rapaz. Dizia que seria muito mais confortável, que não daria trabalho nenhum, que se veria melhor o meu rosto. Enfim, qualquer motivo para ela era argumento, até porque a ela nunca a vi senão com cabelo curto.

A minha mamy gostava de me ver com o cabelo comprido, mas também tinha gosto de fazer a surpresa à sua mãe.

Certo dia fomos ao cabeleireiro, ele perguntou duas ou três vezes se eu tinha a certeza, fez-me uma trança, fechou os olhos e cortou-me o cabelo de uma vez só.

O choque de ver uma miúda nova no espelho ficou cá dentro, como dizia Fernando Pessoa, “primeiro estranha-se, depois entranha-se”.

A minha avó faleceu pouco tempo depois, e eu guardei para mim o gosto pela surpresa que lhe fiz.

Inconscientemente, acho que volto ao dia da primeira vez sempre que mudo de visual. E fico sempre curiosa para ver a reacção das pessoas, talvez porque, infelizmente, a memória me tenha atraiçoado e não me lembre da reacção da minha avó, recordo apenas que ficou feliz. 💇

Dizem que quem corre por gosto não cansa.

Há muitos anos atrás, andava eu no liceu, tive como professora de inglês uma “lady”. Não era da realeza e não sei se seria das senhoras da alta sociedade. Era antes um exemplo de mulher, feminista e lutadora. Uma das Teresas da minha vida.

Fumava que Deus a dava. Tinha voz rouca. Andava sempre maquiada, e pela minha memória o batom era sempre vermelho. Usava óculos com lentes jeitosas. As rugas não disfarçavam que seria mais velha que a maioria das professoras. E tinha um hábito com o qual nós, adolescentes parvos (como todos o são), gozávamos, tomava café sem açúcar mas guardava todas as saquetas de açúcar que lhe serviam.

Soube entretanto que muitos anos antes tinha casado sem ter conseguido realizar o seu sonho, tirar um curso superior relacionado com o ensino, queria ser professora. Depois vieram os filhos, e pelas palavras dela, fez-lhe o que lhe competia, educou-os e deu-lhes asas.

Por isso mesmo quando entrou na faculdade já tinha mais de quarenta anos, concluiu o curso e começou a leccionar. Foi no seu tempo, mas foi.

Era uma figura carismática, com um quê de excêntrico.

De tudo o que ensinou, foi uma frase em português o que mais me marcou. Nunca mais esqueci. “Dizem-vos que quem corre por gosto não cansa, mas estão a mentir-vos. Quem corre por gosto cansa-se como os outros. A diferença é que chega muito mais longe!” 🏁