Até que a morte os separe.

Não poucas vezes a minha inspiração para a escrita vem do que escuto, seja nos media, seja ao vivo e a cores.

Hoje, na fisioterapia, ouvi a minha querida terapeuta A., noiva há um ano, falar da sua check-list para o grande dia em Setembro com outra paciente, mãe de uma noiva, curiosamente também ela moça casadoira no mesmo mês.

Perguntavam uma à outra se já estavam escolhidos os penteados, os vestidos, os ramos. Trocavam ansiedades e marcas de renome no mundo dos casamentos.

Há toda uma indústria envolvida em torno do “felizes para sempre”, portentosa e talentosa, responsável por transformar meia dúzia de flores num ramo de noiva que irá, por si mesmo, não só embelezar a noiva como ditar a sorte da próxima a desencalhar noivar.

Os valores associados a tudo o que envolve a união são quase pornográficos, mas é suposto ser um dia de sonho. E aí está o que de verdade me intriga, será que desde meninas sonhamos todas com o mesmo??! Ou será que, algures no universo feminino, a ideia de ficar para tia solteira é significado de ter sido rejeitada, de ninguém a querer? Desengane-se aquele que acredita que casar é a oitava maravilha do Mundo. Dividir o espaço e a intimidade com uma pessoa, está longe de ser o exercício mais romântico do planeta. Se não for com alguém que valha mesmo a pena, bendita seja a vida de solteira!

O entusiasmo, o empenho e o custo que a noiva dedica ao seu dia faz, normalmente, com que ela seja a estrela. É como se fosse o seu momento para brilhar. Não é um contra-senso que os momentos de uma só pessoa marquem o início de uma vida a dois?

Não que para os homens tudo seja indiferente, claro que não! Eles têm gosto e opinião, mas regra geral são muito mais simples, não se interessam com a cor dos guardanapos e nem das toalhas. Não fazem provas no cabeleireiro nem fazem questão de conhecer o pasteleiro.

A lista de convidados também me deixa intrigada, a facilidade com que se supera a fasquia da centena de pessoas é impressionante. E não poucas vezes chega-se às duas centenas ou mesmo três! Para quem se confessa socialmente inadaptada é perceptível que teria de correr a minha lista toda de contactos no telemóvel para conseguir estes números, talvez precisasse até de ir ao facebook buscar reforços.

Mas pessoas, sou só eu que acha estranho partilhar esse momento com metade da freguesia ou há por aí mais alguém a pensar que é coisa para merecer mais intimidade?

Sendo eu pessoa casada não é difícil adivinhar que não segui a cartilha mais usual. O ramo foi uma rosa, comprada horas antes, entregue em mãos à C., a pessoa responsável da Pousada onde casamos (reservada três meses antes) que escolheu a decoração, por sua conta e risco, e criou uma sala linda. O vestido foi idealizado e costurado pela T., uma costureira, mulher, amiga, a quem fui um mês antes, tão prática que me disse de imediato “vens no tempo certo, às vezes as noivas vêm um ano antes e eu digo logo para virem mais tarde, até lá ainda vão engordar ou emagrecer, até podem ficar prenhas”. O fotógrafo, um amigo e colega de trabalho, chegou depois da cerimónia, a lua de mel aconteceu três meses antes do casamento, e foi uma mulher a dizer “pode beijar a noiva”. Não houve convites, nem provas de cabelo ou maquiagem – foi sem rede, tal como é o casamento.

Casar nunca foi um sonho na minha vida, nem na do A., talvez por isso as expectativas não fossem muito altas e, no final, tenha sido mesmo um dia de sonho.

A verdade é que não é o dinheiro gasto que faz um dia feliz. 💑

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