Hoje foi o dia.

Adoro mudar o visual do meu cabelo. Fazer mudanças à séria. Isso de cortar as pontinhas não é audácia nenhuma.

Cortar, pintar, pentear. O rosto ganha nova vida e a vida ganha novas etapas.

Tenho para mim que esse gosto se desenvolveu à conta da minha avó. Eu tinha nove anos e um cabelo LINDO, comprido, preto, liso, sem jeitos. Pois que a minha avó encantava-se com a perspectiva de eu cortar o cabelo curtinho, à rapaz. Dizia que seria muito mais confortável, que não daria trabalho nenhum, que se veria melhor o meu rosto. Enfim, qualquer motivo para ela era argumento, até porque a ela nunca a vi senão com cabelo curto.

A minha mamy gostava de me ver com o cabelo comprido, mas também tinha gosto de fazer a surpresa à sua mãe.

Certo dia fomos ao cabeleireiro, ele perguntou duas ou três vezes se eu tinha a certeza, fez-me uma trança, fechou os olhos e cortou-me o cabelo de uma vez só.

O choque de ver uma miúda nova no espelho ficou cá dentro, como dizia Fernando Pessoa, “primeiro estranha-se, depois entranha-se”.

A minha avó faleceu pouco tempo depois, e eu guardei para mim o gosto pela surpresa que lhe fiz.

Inconscientemente, acho que volto ao dia da primeira vez sempre que mudo de visual. E fico sempre curiosa para ver a reacção das pessoas, talvez porque, infelizmente, a memória me tenha atraiçoado e não me lembre da reacção da minha avó, recordo apenas que ficou feliz. 💇

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