Dizem que quem corre por gosto não cansa.

Há muitos anos atrás, andava eu no liceu, tive como professora de inglês uma “lady”. Não era da realeza e não sei se seria das senhoras da alta sociedade. Era antes um exemplo de mulher, feminista e lutadora. Uma das Teresas da minha vida.

Fumava que Deus a dava. Tinha voz rouca. Andava sempre maquiada, e pela minha memória o batom era sempre vermelho. Usava óculos com lentes jeitosas. As rugas não disfarçavam que seria mais velha que a maioria das professoras. E tinha um hábito com o qual nós, adolescentes parvos (como todos o são), gozávamos, tomava café sem açúcar mas guardava todas as saquetas de açúcar que lhe serviam.

Soube entretanto que muitos anos antes tinha casado sem ter conseguido realizar o seu sonho, tirar um curso superior relacionado com o ensino, queria ser professora. Depois vieram os filhos, e pelas palavras dela, fez-lhe o que lhe competia, educou-os e deu-lhes asas.

Por isso mesmo quando entrou na faculdade já tinha mais de quarenta anos, concluiu o curso e começou a leccionar. Foi no seu tempo, mas foi.

Era uma figura carismática, com um quê de excêntrico.

De tudo o que ensinou, foi uma frase em português o que mais me marcou. Nunca mais esqueci. “Dizem-vos que quem corre por gosto não cansa, mas estão a mentir-vos. Quem corre por gosto cansa-se como os outros. A diferença é que chega muito mais longe!” 🏁

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