A minha melhor amiga.

Não gosto de esperar. Estar na segurança social, nas finanças, na sala de espera de um médico, no cabeleireiro, podem ser verdadeiras torturas. Ao longo dos anos desenvolvi um hábito que me ajuda a passar o tempo, e que de alguma forma me diverte. Observo as pessoas, os diálogos, tento imaginar a história de vida por detrás de cada um. Ouço verdadeiras pérolas, algumas humorísticas outras recheadas de sabedoria.

Há uns anos atrás, estava eu no cabeleireiro e uma das funcionárias falava sobre a felicidade de estar de folga no dia seguinte, ainda por cima parecia que ía estar bom tempo.

Alguém comentou que as suas folgas, com sol ou chuva, eram passadas a arrumar a casa e as roupas. A Carla retorquiu, disse que na vida podia ter poucos luxos, mas um deles era ter uma senhora a dias sempre durante as tardes das suas folgas. Assim, dormia de manhã, almoçava com a mãe, saía para passear, ía buscar o filho à escola, lanchavam os dois, e quando chegava a casa estava tudo arrumadinho.

Comentou que a mãe lhe dava sempre nas orelhas, que lhe dizia que devia ser ela a arrumar, guardar o dinheiro que pagava à senhora e fazer um peteiro.

Eu ouvi-a falar e concordei com a mãe, mas só até ouvir a sua perspectiva. Dizia ela que havia prazeres na vida que tinham de ser gozados, um deles era aproveitar o tempo livre para ser feliz. E rematou, “quando eu morrer vai para a cova a minha melhor amiga”.

Raismeparta, que super frase!

Realmente, a sabedoria nem sempre vem nos livros. Há pessoas que por si só são enciclopédias inteiras, mesmo que algumas só se cruzem connosco durante cinco minutos. 📚

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