Em contra mão.

Com os desígnios da natureza ninguém deve mexer. Descobri por minha conta e risco.

Fui ousada ao ponto de achar que poderia viver contra natura. Era a minha escolha, e era legítima. A quem dizia respeito, o respeito era total. Foi o quanto bastou para acreditar que assim seria, e seria bom.

Fui naif.

As pessoas mudam com o tempo e o tempo muda com elas. O que ontem fazia sentido, amanhã pode ser só descabido. Mas entretanto as opções haviam se tornado decisões. E essas levaram-nos a desilusões.

Decidi não ter filhos, mas sou mãe da minha mãe.

Decidi casar, mas em vez de uma casa quis uma comunidade familiar.

Decidi ser livre, mas deixo o meu coração preso a todos aqueles que miam ao meu lado.

Decidi ser luz, mas vivo perto da sombra.

Hoje já não decido muito porque já decidi demais.

Adio a separação na esperança de nos mantermos unidas, mas sinto um afastamento visceral. Adio o inevitável na esperança que se torne evitável. Mas os anos passam, a vida segue e cada vez os caminhos parecem mais afastados.

Não sei quem se separou primeiro, nem sequer sei se afinal éramos o que parecíamos ter sido. O que parecia serem gémeas siameses são agora a imagem de dois continentes separados por um oceano.

O dinheiro, a perspectiva do fim, o egoísmo, a doença, todos podem ser motivos. Mas, no fim das contas, só não pode ser por amor.

Para mim, em resumo, essa é a maior dor… 😿

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