Estava escrito.

Aqui há dias falava com a Carla (a minha gêmea), por altura do seu aniversário.

Recordamos algumas histórias e ela partilhou comigo que dias antes tinha estado com a nossa professora primária. Palavra puxa palavra e acabaram a falar de mim. A D. Fátima dizia embevecida que eu era uma criança com muito vocabulário, esperta, pensava depressa.

Contou à Carla um episódio que nunca se esqueceu, quando eu, numa aula de história, a olhava atentamente e lhe disse “a professora fala tão bem e é tão inteligente, podia muito bem ser deputada!”. Ora em 1983 ouvir isto de uma fedelha fanada, com os seus seis/sete anos, deve ter tido a sua graça.

Anos mais tarde estava no ciclo e os professores eram quase unânimes, achavam eles que o meu futuro seria nas letras.

Perto do nono ano, quando temos de escolher a nossa área de estudo, a minha Mamy perguntou a opinião a Deus e ao Diabo.

A esmagadora maioria falava em letras. Que tinha muito jeito, que aprendia depressa línguas, que escrevia muito bem, que tinha facilidade em expressar-me, que tinha muito vocabulário, mais etc e tal e pardais ao ninho.

Fiz o teste de aptidão e deu empate entre letras e ciências.

Mas, talvez por aquela coisa de ser do contra, eu cá dentro não tinha empate nenhum. Quis ciências. E assim foi…

Acabei afastada da leitura e da escrita anos a fio. E como o que é nosso à nossa mão vem ter, nasce um dia a Dona Bitaites e lembra-me exactamente o porquê da maioria me ter aconselhado letras.

Ainda bem que escolhi ciências, vivi praticamente vinte anos a trabalhar com verdades comprovadas. Agora, posso renascer no sonho de só ser curiosa e ter muitas dúvidas.

Quem sabe os próximos vinte anos não serão a trabalhar com as letras?

Sorte de quem, numa vida, pode experimentar três ou quatro. ✍

Facebookmail

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *