Amor, uma a ele outra ao dinheiro.

Foi há três semanas que a P. e o C. vieram cá a casa trazer-nos o convite para o seu casamento.

Por altura do Natal, quando falamos para trocar os votos, disse-me que tinha uma surpresa para me contar, arrisquei logo adivinhar: “vais casar!”. Não podia ter acertado mais, nem podia ter ficado mais contente.

O C. é genuinamente boa pessoa, com bom coração. Tem os seus defeitos, como todos, os seus vícios, como a maior parte, momentos onde só é parvo, como muitos, mas tem sempre bom coração, como poucos.

Conheço o C. há mais de vinte anos, creio já ter alguma propriedade para dizer que o conheço bem.

A P. apareceu na sua vida há meia dúzia de anos atrás, mais coisa menos coisa.

Tenho por ela uma admiração considerável, não seriam muitas aquelas que teriam a coragem de fazer a escolha que ela fez – enquanto casada não trabalhava, viviam muito bem e ela só tomava conta das filhas. Certo dia entendeu que o casamento estava terminado, mantiveram-se amigos e agarrou-se ao que havia, faz limpezas até hoje, com orgulho de ser quem é.

E é uma mulher bonita, alegre, bem formada, mãe e (já) avó babada, e uma super companheira para o C. – com prova prestada ao longo da maior parte do namoro. Esse namoro que foi tão condicionado porque o C., como filho exemplar, acompanhou o pai durante anos no evoluir da sua doença e até à sua última hora.

Torcer pela felicidade dos dois é intuitivo, não tem como não o fazer.

Mas, e parece que há sempre um mas, o facto da P. passar a ser a herdeira do C. não agradou a todos. Havia quem contasse que o seu herdeiro tivesse mais “sorte”, falo de uma prima do C. que acreditava ser o seu filho o feliz contemplado.

O C. nem é rico, mas felizmente tem a vida estabilizada. O suficiente para cortarem a P. das fotografias onde está com o C. antes de as colarem no álbum, mesmo como quem diz, “aqui não entras”. De pouco lhes adiantará, porque no álbum da vida deles quem escolhe as fotos é ela.

Enfim, não será à toa que sou (e tenciono continuar) socialmente inadaptada.

Honestamente, tenho para mim, que esses que pensam igual não deram conta que na hora certa vão ter de pagar, porque daqui ninguém sai a dever. 💸

 

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