Cristina, a Ferreira.

Dizer-me fã da Cristina Ferreira talvez distorça a forma como a vejo. Eu não sou apreciadora das revistas cor-de-rosa, ou de estrelatos, ou de glamour, nem moça para sequer atravessar a minha cidade se a souber por cá. Ser fã de alguém é uma expressão que me leva sempre para a idolatria e, bem vistas as coisas, para teenagers a agarrar cabelo.

Sou antes uma admiradora confessa da Cristina Ferreira. E de muitas outras “Cristinas” que, sem o mesmo apelido, têm o mesmo ADN, envoltas em tantas ou menos luzes da ribalta.

Gosto de gente que arrisca, que não quer agradar a todos, gente inteligente, astuta, que vai à luta, que não abre mão das suas convicções, gente de fibra. E, ao contrário do que parece acontecer com a maioria, gosto mesmo quando as pessoas acertam, quando a vida lhes sorri, quando conquistam os seus sonhos.

Enche-me a alma, dá-me motivação, inspiração, faz-me acreditar ainda mais no meu caminho.

Também eu não sou da maioria, acho a normalidade uma falta de criatividade, não sou nem do nim nem do talvez. É para a frente que a gente se entende. Se cair levanta. Arregaça as mangas, faz acontecer.

A Ferreira não conheço pessoalmente, mas tenho a sorte de conhecer outras como ela. Se fosse sobre as minhas “Cristinas” poderia citar virtudes e defeitos que lhes reconheço, sobre a CF não posso, precisamente por não a conhecer. Posso só falar sobre a figura pública, dizer que é uma comunicadora multifacetada, que lhe reconheço graça, jovialidade, polivalência, que demonstra ser uma mulher de família e, ouso acrescentar, uma mãe extremosa.

Há pessoas que não gostam dela. E eu acho óptimo – a diferença permite a evolução.

Há pessoas que lhe desejam o fracasso. E eu acho péssimo.

A mesquinhez, o interesse na vida do lado, o querer uma galinha maior que a do vizinho, nunca vai fazer ninguém crescer – nem como gente, nem na vida.

Não sei as suas emoções quando escreveu estas linhas, mas sei das minhas quando as li: “É difícil viver num país onde querem que falhes, onde desejam o tal fracasso. Há dias em que equacionamos escolhas e caminhos. E depois percebemos que será sempre assim. Aqui ou a vender bifanas. Basta ser íntegro, honesto, trabalhador.”

Senti os meus olhos ficarem húmidos, um ligeiro aperto no coração, um misto de tristeza e compreensão. E fui invadida por várias memórias pessoais que subscrevem tudo o que ali está escrito.

Ousar fazer o que acreditamos, trabalhar afincadamente, com honestidade, com princípios, norteados pela verdade, e provar que somos capazes, incomoda muita gente.

Por vezes, incomoda até quem nos paga o salário. Como se ao pagar-nos não nos quisessem pela nossa inteligência, mas antes para que os fizéssemos sentir inteligentes (mesmo quando tal virtude não lhes assiste).

Tenho para mim que este tipo de pessoas, as que se chateiam com o entusiasmo dos outros, pertencem a uma (ou mais) de três categorias: mal amadas, mal resolvidas, mal fodidas.

O que me aborrece mesmo é que este tipo de pessoas, lamentavelmente, existe em larga maioria e, por isso mesmo, a convivência é praticamente obrigatória. E té-los como companhia é o mesmo que estar na praia, num dia solarengo, e de repente o céu encher-se de nuvens. São pessoas que não trabalham para brilhar, só mesmo para apagar o brilho de quem trabalhou para isso. ⛅️

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