Quão irracional o raciocínio.

Hoje, ao ver o discurso de despedida de Obama, fui assolada por um pensamento meu “habitué”. Como raio é possível o ser humano não ver o que se passa diante dos seus olhos? Como consegue ignorar o óbvio?

Eu não sou fã de Hilary Clinton, acho-a uma mulher pouco carismática e, principalmente, pouco clara, ainda que lhe reconheça inteligência e perseverança. Contudo, juro, nunca imaginei que pudesse perder as eleições presidenciais americanas. Aliás eu nem percebi como Trump conseguiu sequer chegar a seu adversário. Não o acho um perfeito anormal enquanto empresário, até porque não sou entendida o suficiente na sua história, mas dizem ter sido bem sucedido. Agora, político?? E, principalmente, para o lugar mais importante no palco da política mundial?? Temo por nós, arrogância e estupidez juntas não são uma boa combinação, nunca foram.

A minha questão é, depois de oito anos habituados a um líder carismático, inteligente, que trabalhou contra a homofobia, o machismo, o racismo e outras discriminações, que fez pela paz, que lutou contra as armas, que foi pela união, que se preocupou com a saúde dos que menos podem, “comóraio” podem ver algo de válido naquele acéfalo? E o pior, ele nem disfarçou na campanha, disse sempre as suas ideias e demonstrou o seu carácter (no caso a falta dele).

E, quase sem ar, pergunto, como é que nós mulheres lhe pudemos dar um voto de confiança?? A um machista que trata as mulheres como objectos descartáveis, que servem para a obtenção do prazer masculino e pouco mais.

Porra, estamos no século XXI. Que facada na humanidade!

Mas assim é em muitas outras situações na vida, e isso intriga-me até às entranhas, e nem sempre na proporção das consequências. Aquele namorado que estava bom de ver que ia dar merda, com quem não tínhamos sequer afinidade; aquela peça de roupa que compramos e no fundo, no fundo, sabíamos desde o início que nunca a íamos vestir; aquele último copo de vinho, quando já estávamos no limite, e que para além de bêbados ainda nos deixou indispostos; aquelas últimas garfadas de comida, quando já estávamos quase a abarrotar, e que, obviamente, nos levaram quase à indigestão. E tantas outras! Ahhhhh, e a, sempre na moda, rejeição à mudança: “ahhhh, da maneira antiga isto faz-se melhor” – dá pelo menos para experimentar a maneira nova antes de falar???!!!

Quando penso neste tema do “irracional” lembro-me quase sempre de um exemplo sem importância para mim ou mesmo para a humanidade, lembro-me do Príncipe Carlos casado com Diana de Gales, linda, perfeita, elegante, doce, e no entanto…  apaixonado por Camila. Mas neste caso sempre se pode dizer que o coração tem razões que até a própria razão desconhece.

Quanto ao resto, talvez a razão conheça mas eu estou a anos luz de conseguir explicar tanta estupidez. 🙈

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