António Variações.

Era uma adolescente quando me cruzei com a obra deste homem, não me lembro como aconteceu mas sei que nunca mais o esqueci.

Saído de Fiscal, uma aldeia em Braga, nos anos cinquenta, ainda rapaz, rumou para a “cidade grande”. Não se condicionou, conheceu o mundo, fez-se barbeiro, escreveu letras intemporais e criou música cujo estilo está, segundo o próprio, algures entre Braga e Nova Iorque.

Ainda hoje o ouço com o mesmo fascínio e a mesma admiração de outrora. Brutal visão do mundo e do ser humano, invulgar capacidade de a transmitir. Excentricidade e simplicidade num só corpo. Diz-se que morreu sozinho de amigos e afectos, parece que a única excepção foi a Lena D’Água. Partiu deste mundo sem ter tempo de conhecer a admiração que gera nas pessoas. Mas lá além, onde está também hoje, seguramente sentirá que deixou uma marca na eternidade.

 
ANTÓNIO VARIAÇÕES – ESTOU ALÉM
Não consigo dominar
Este estado de ansiedade
A pressa de chegar
P’ra não chegar tarde
Não sei de que é que eu fujo
Será desta solidão
Mas porque é que eu recuso
Quem quer dar-me a mão

Vou continuar a procurar a quem eu me quero dar
Porque até aqui eu só

Quero quem
Quem eu nunca vi
Porque eu só quero quem
Quem não conheci
Porque eu só quero quem
Quem eu nunca vi
Porque eu só quero quem
Quem não conheci
Porque eu só quero quem
Quem eu nunca vi

Esta insatisfação
Não consigo compreender
Sempre esta sensação
Que estou a perder
Tenho pressa de sair
Quero sentir ao chegar
Vontade de partir
P’ra outro lugar

Vou continuar a procurar o meu mundo, o meu lugar
Porque até aqui eu só

Estou bem
Aonde não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde não estou

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