Amar demais.

Manter-me firme neste propósito de nos afastar geograficamente é das coisas mais difíceis que já fiz. Pensar que estou a magoar-te, que te desamparo, que te prejudico, faz-me sentir um peso que asfixia.

Não é de maneira nenhuma essa a minha intenção, pelo contrário, eu quero ver-te feliz, sentir-te em paz, perceber que sentes o meu amor, que tens amor por ti, gosto pela vida. Quero ver-te sorrir. Não será propositado mas a direcção que tomas é a contrária a isto tudo, há tantos anos, e dói-me até às entranhas…

Eu não quero ter de assistir ao declínio de quem amo tanto. Terei esse direito? Terei o direito de começar a fechar a janela que sempre deixei aberta? Afinal, sempre fui tua cúmplice, sempre te habituei mal. E agora, apesar de tantos avisos, tiro-te o tapete…

Mas sabes, não perdi a esperança, uma parte de mim pensa “se não é perto de mim que ficas melhor, pode ser que seja assim”. Às vezes o amor sufoca, cria dependência, tira autonomia. Vou tentar manter-me firme na fé de acreditar que assim voltarei a ver-te sorrir.

Sei que pelo menos hoje não posso, mas a minha vontade era dizer-te que te amo e vou estar sempre aqui para ti, “no matter what”.

Se a isto se pode considerar uma tentativa de educar-te, confirmo, dizer não é possivelmente o que de mais difícil um ser humano pode fazer por alguém que ama genuína e generosamente. 👯

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